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Mercado de trabalho segue estável, e técnicos não preveem oscilações

por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 31/10/2012 16h06, última modificação 31/10/2012 16h14

São Paulo – O mercado de trabalho segue criando vagas, em ritmo menor e às vezes insuficiente para absorver a mão de obra, e a expectativa é de poucas oscilações nos próximos meses. A pesquisa divulgada hoje (31) pela Fundação Seade e pelo Dieese mostrou taxa de desemprego estável em setembro, com pequena variação para baixo, mas acima de igual mês do ano passado. A taxa geral ficou em 10,9% da PEA (População Economicamente Ativa).

Há indícios de retomada da atividade econômica, mas o coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian, acredita que isso não trará crescimento tão significativo do emprego.

“Tem havido sinais de mudança de comportamento dos empresários. Com toda a redução da atividade, não se verificou queda do nível de emprego ou demissão em massa. Numa retomada esperada, talvez não tenha de contratar tanta gente”, diz Loloian. “É de esperar uma retomada do crescimento, não com a mesma intensidade (de 2011).”

A PEA quase não cresceu de agosto para setembro nas sete áreas pesquisadas: 0,2%, o correspondente a um acréscimo de 40 mil pessoas no mercado, que criou 82 mil vagas no mês passado. Com isso, o número de desempregados caiu em 42 mil, para uma estimativa de 2,445 milhões. Em 12 meses, a situação se inverte: o número de empregos abertos (509 mil, alta de 2,6%) foi insuficiente para absorver as 645 mil pessoas que ingressaram no mercado (expansão de 2,9%). Isso fez com que o total de desempregados aumentasse em 136 mil na comparação com setembro do ano passado.

E essas 509 mil ocupações a mais se concentraram no setor de serviços, que criou 556 mil postos de trabalho em 12 meses, expansão de 5,1%. Na mesma base de comparação, a indústria de transformação fechou 64 mil (-2,1%). Construção civil e comércio e reparação de veículos tiveram pequenas variações positivas.

O emprego com carteira assinada mantém-se em alta, embora em ritmo menos intenso. No mês, cresceu 0,7% (70 mil vagas a mais). Em 12 meses, o acréscimo é de 382 mil postos de trabalho (alta de 4%). “Estamos em um período de sazonalidade positiva no mercado de trabalho. A aposta é que volte a crescer o emprego com carteira”, diz a técnica do Dieese Ana Maria Belavenuto.

Ela observa que houve comportamento diferenciado entre as áreas pesquisadas. Em relação a setembro do ano passado, a taxa de desemprego caiu de forma significativa nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre e um pouco menos em Fortaleza e no Distrito Federal. Cresceu em São Paulo e, principalmente, em Salvador. O emprego na construção civil aumentou principalmente em Recife (21,3%) e Belo Horizonte (9%).

O rendimento dos ocupados (R$ 1.516) quase não saiu do lugar no mês (-0,1%). Em 12 meses, subiu 4,6%, com destaque para São Paulo (8,5%), Fortaleza (5,6%) e Recife (3,8%).

Na maior região metropolitana, a de São Paulo, a taxa de desemprego foi de 11,6%, em agosto, para 11,3%. Recuou de 11,4% para 10,8% na capital, ficou estável nos demais municípios (de 11,8% para 11,9%) e caiu também na região do ABC (de 10,2% para 9,6%). Sem variação na PEA, o mercado abriu 38 mil vagas (0,4%). Em 12 meses, 413 mil pessoas ingressaram no mercado de trabalho (expansão de 3,8%), que criou 290 mil empregos (alta de 3%), fazendo o número estimado de desempregados aumentar em 123 mil (10,7%), para 1,274 milhão.