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Energia solar sinaliza viabilidade com incentivos, aponta EPE

por Fábio Couto, da Reuters publicado 03/07/2012 18:32, última modificação 03/07/2012 18:32
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Rio de Janeiro – A geração solar de eletricidade, que tem participação marginal na matriz energética brasileira, começa a dar sinais de viabilidade no Brasil, embora não seja totalmente competitiva, apontou estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgado nesta terça-feira.

A energia solar como geração distribuída, instalada diretamente em residências, seria viável se baseada na concessão de incentivos, segundo a EPE. Já a geração centralizada, aquela de usinas que teriam sua energia a ser contratada em leilões, ainda não apresenta viabilidade quando se compara com o preço das demais fontes. "Se contratar, será muito mais por uma questão política, de tecnologia", disse o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim.

No geral, os preços da energia solar vêm em trajetória de queda no mundo. O valor dos painéis solares corresponde a 25 por cento do que há dez anos. Considerando o sistema completo, o preço caiu pela metade em cinco anos. "A perspectiva é que continue a cair", disse Tolmasquim.

Entre as vantagens do Brasil para a energia solar estão os altos índices de insolação e a baixa variação média do sol ao longo do ano -comparando-se com a sazonalidade das fontes hídrica, eólica e biomassa.

Num cenário base, os estudos da EPE mostraram que o custo nivelado de geração solar de uma residência com sistema que produz 5 quilowatts-hora pico (kWp) é de 602 reais por megawatt-hora (MWh). O investimento inicial foi projetado em 38 mil reais e a vida útil do sistema seria de 20 anos. Com esse preço, a EPE verificou que a energia solar é viável -mais barata que a tarifa residencial- em 10 distribuidoras, com mercado potencial de até 15 por cento da demanda residencial nacional.

Considerando isenção fiscal e incentivo que devolve ao consumidor parte do investimento via redução de Imposto de Renda, o custo nivelado de geração seria de 409 reais por MWh, viável em 60 das 63 distribuidoras do país -um mercado potencial de até 98 por cento do consumo residencial. Para comércio e indústria, os parâmetros são outros, já que o preço da energia para esses setores são inferiores ao das residências.

Usina solar inviável

Para a geração centralizada, Tolmasquim destacou que uma usina solar teria custo de 405 reais por MWh. Esse preço é quase quatro vezes superior ao valor médio da energia contratada no último leilão de energia nova, em dezembro de 2011, de 102,18 reais por por MWh. No cenário mais otimista com incentivos fiscais e juros menores, o preço da energia solar na usina cairia para 302 reais por MWh -ainda longe da viabilidade.

Para Tolmasquim, os resultados podem abrir duas frentes de debate no governo: esperar o preço cair para que a fonte solar possa ser adotada ou buscar medidas específicas para viabilizar a fonte. O estudo da EPE que veio a público nesta terça-feira foi entregue ao governo em maio. O objetivo é balizar a formulação de uma política para a fonte solar.

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