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Migração para países ricos traz melhorias de vida, mostra relatório

por Mariana Jungmann publicado 05/10/2009 11h02, última modificação 05/10/2009 11h05

Brasília - Rendimentos 15 vezes mais elevados, escolaridade duas vezes maior, taxa de mortalidade infantil 16 vezes menor e mais acesso à saúde são alguns dos benefícios que a migração traz para trabalhadores que mudam de países em desenvolvimento para nações ricas em todo o mundo.

A conclusão está no estudo Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e Desenvolvimento Humanos, que faz parte do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

“O relatório entende migração como um direito humano. As pessoas migram em busca de uma vida melhor”, ressaltou o coordenador do relatório no Brasil, Flávio Comim.

No Brasil, a taxa de migração interna é de 10,1%. A taxa de emigração, ou seja, de brasileiros que vão para o exterior, é de 0,5% e tem se mantido estável, segundo Comim. Já a taxa de imigração, que se refere a pessoas que vêm de outros países para o Brasil, tem caído e atualmente é de 0,4%.

Em 1960, havia 1,3 milhão de imigrantes no Brasil. Atualmente esse número é de 686,3 mil pessoas. O relatório não explica o que motivou a queda no número de estrangeiros morando no Brasil.

Segundo o coordenador do relatório, a maior parte da migração ocorre internamente e não entre países. Há cerca de 1 bilhão de migrantes em todo o mundo, dos quais 740 milhões mudam de cidade em um mesmo país.

As pessoas pobres, segundo o relatório, são as que mais se beneficiam com o processo migratório, mas também são as que mais sofrem com os obstáculos impostos por ele. Em geral, elas fogem de desastres naturais, regiões em conflito ou da pobreza, e, com isso, ficam mais expostas aos riscos da migração, como o tráfico de pessoas. A assistência à saúde e o acesso à educação são os principais motivos da mudança, acima inclusive dos salários mais elevados.

Os altos custos financeiros da mudança acabam propiciando a migração irregular, o que expõe ainda mais os imigrantes às pressões dos países de destino. “Isso é um ponto importante. Existe muita desigualdade nas oportunidades que são dadas para pessoas com diferentes níveis de habilidade. É possível perceber que, daqueles lugares onde o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] é muito baixo, a migração resulta num diferencial de renda muito maior do que para aquelas que migram de um país onde o IDH já é alto”, afirmou Comim.

O relatório sugere que os países facilitem o acesso dos imigrantes a documentos e à regularização, para promover o acesso dessas pessoas a serviços de assistência social e de saúde. Segundo o coordenador, o objetivo do relatório não é estimular a migração para países ricos, mas buscar a formalização das pessoas que vivem nessas nações.

“A motivação das pessoas não vai deixar de existir enquanto você tiver diferenciais de qualidade de vida. A questão é que elas podem continuar se movimentando em condições humanas ou subumanas”, avaliou.

Fonte: Agência Brasil

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