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Indústria tem maior sequência de altas desde 1991

por Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer publicado 02/10/2009 12h36, última modificação 02/10/2009 12h37 © Thomson Reuters 2009. All rights reserved

Rio de Janeiro/São Paulo - A indústria brasileira manteve em agosto o processo de recuperação do impacto sofrido com a crise global, marcando o oitavo mês consecutivo de crescimento, a maior sequência desde 1991.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ponderou que, apesar do número positivo, a fatura da turbulência ainda não foi totalmente quitada pelo setor, que deve encerrar o ano com forte queda.

A produção subiu 1,2% em agosto sobre julho. Ante agosto, houve queda de 7,2%, a menor desde novembro de 2008, informou o IBGE nesta sexta-feira (2).

Analistas consultados pela Reuters previam uma expansão mensal de 0,8% --com faixa de alta de 1,8 a declínio de 0,2%-- e uma queda anual de 7,5%.

"Os dados de agosto da indústria mostram a continuidade de um processo de recuperação da indústria puxada basicamente pela demanda interna... O movimento está em linha com a recuperação da economia", disse a gerente do IBGE, Isabella Nunes.

Em relação a setembro de 2008, pico do setor e mês da quebra do Lehman Brothers que aprofundou a crise mundial, a indústria ainda apresenta retração de 10,2%.

"Há uma melhora, mas ainda pagamos a conta da crise", disse Isabella, acrescentando que o fundo do poço foi dezembro de 2008, quando essa queda chegou a 20,9%. Atualmente, o setor está em patamar equivalente ao de fevereiro de 2007.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a queda é de 8,9%. Em 12 meses até agosto, a indústria contabiliza baixa de 12,1%, a maior queda para um período de 12 meses desde 1991.

Analistas projetam para o fechamento de 2009 uma queda entre 5% e 7%. Isso porque as taxas anuais devem seguir em baixa até o fim do quarto trimestre, quando a base fraca de comparação com 2008 deve tornar as taxas positivas. Já as leituras mensais devem continuar positivas.

O recorde de baixa anual é de 1981, de 10,2%.

"Quando a gente olha os determinantes da produção, todos apontam para cima (alta da produção): necessidade de recompor estoques, demanda interna firme, bastante impulso monetário e fiscal para se materializar ainda e exportações que, se não estão tendo um crescimento expressivo, tiveram um inflexão", disse Zeina Latif, economista-chefe do ING.

"O impulso monetário e fiscal vai mais do que compensar a desaceleração dos automóveis e da linha branca, que perdem seus incentivos", acrescentou Zeina.

Setores

Na comparação mensal, 15 dos 27 setores pesquisados tiveram aumento da produção, com destaque para Veículos automotores (3,2%), Refino de petróleo e produção de álcool (3,5%), Material eletrônico e equipamentos de comunicações (9,1%) e Metalurgia básica (2,7%).

Entre as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis teve a maior alta sobre julho, de 3,1 por cento, seguida por bens intermediários (0,7%), bens de consumo semi e não duráveis (0,6%) e bens capital (0,4%).

Sobre agosto de 2008, 9 dos 27 segmentos apresentaram crescimento da atividade. Os destaques de baixa foram Veículos automotores (-18,4% ), Máquinas e equipamentos (-19,0%), Metalurgia básica (-16,1%) e Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-22,1%).

Todas as categorias de uso tiveram queda, sendo a maior de bens de capital, de 22,3%. As demais apresentaram baixa, mas a menor do ano: de 8,1% em bens intermediários, de 3,7% em bens de consumo duráveis e de 1,3% em bens de consumo semi e não duráveis.

Fonte: Reuters

 

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