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Cheque especial é modalidade de crédito mais usada para fechar o mês, apesar dos juros altos

por Kelly Oliveira publicado 13/10/2009 11h19, última modificação 13/10/2009 11h19

Apesar de reduções, taxa média cobrada pelo uso do cheque especial chega a 161% ao ano (Foto: Zsuzsanna Kilián/Sxc.hu)

Brasília - A salvação para a conta-corrente no vermelho para muitos clientes dos bancos ainda tem sido o cheque especial, apesar das altas taxas de juros. Somente em agosto, segundo o Banco Central, os correntistas usaram R$ 20,4 bilhões do limite desse crédito pré-aprovado oferecido pelas instituições financeiras. No mês anterior o valor foi de R$ 20,948 bilhões. No mesmo período do ano passado, a concessão acumulada era um pouco menor: R$ 19,686 bilhões.

Em agosto deste ano, a taxa média cobrada pelo uso do cheque especial chegou a 161% ao ano, uma redução de 6,3 pontos percentuais em relação a julho. Mesmo assim, os juros estão entre os maiores nas modalidades de crédito. Para se ter uma ideia, a taxa cobrada pelo uso do crédito pessoal, o que inclui as operações consignadas em folha, ficou em 44,3% ao ano, em agosto. No site do BC é possível consultar as taxas de juros mensais por banco tanto de cheque especial, como de outras modalidades.

O motorista Luis Carlos Fernandes, apesar de considerar a taxa alta, usa o cheque especial geralmente a partir do dia 20 de cada mês, quando acaba o salário. “Uso quase todo mês, devido a facilidade. Já está disponível [o crédito], e quando a gente vai procurar o dinheiro fora, não tem a mesma comodidade”, disse.

O funcionário público Emanuel Cordeiro Cavalcante também enfrenta o mesmo problema, faltam recursos no fim do mês e aí não tem outra opção que não seja entrar no cheque especial. “É um bola de neve, depois que entra, para sair é difícil”, disse.

Para o economista Ayrton Fontes há, sim, uma saída para a situação de dívida no cheque especial. Segundo ele, uma opção mais acessível para quem é aposentando, pensionista ou funcionário público, é procurar o crédito consignado que oferece taxas mais baixas. Ou, então, usar o crédito direto ao consumidor, que também tem juros mais baixos do que o do cheque especial. “O consumidor deve procurar essas opções para pagar ou para não usar o cheque especial”, orienta. 

Segundo Fontes, o cheque especial só deve ser usado em caso de urgência, como de doença ou falecimento de parentes, por exemplo, e por poucos dias.

Fonte: Agência Brasil