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Trabalhadores e empresários comemoram resultado de incentivos

Políticas de estímulo econômico tiveram resultado. Embora o pior já tenha sido superado, entidades empresariais mantém cautela
por anselmomassad publicado 11/09/2009 19h30, última modificação 11/09/2009 19h34
Políticas de estímulo econômico tiveram resultado. Embora o pior já tenha sido superado, entidades empresariais mantém cautela

O crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2009 é comemorado por trabalhadores e empresários. Enquanto os primeiros apontam a importância da intervenção do Estado na economia, entidades empresariais avaliam que, embora o pior tenha passado, ainda há motivo para cautela.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geogradia e Estatística (IBGE) apontaram crescimento de 1,9% no segundo trimestre de 2009. No semestre, houve retração de 1,5%, a maior da série histórica iniciada em 1996.

Para Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), o resultado reflete a percepção do que acontece no setor como um todo, o que inclui retomada da produção e das vendas. "Confirma que as medidas tomadas desde o início da crise, sobretudo as realizadas por meio de negociação entre empresários, governo e trabalhadores, tiveram efeitos positivos para a economia", comemora, em entrevista à Rede Brasil Atual.

Apesar de receber o resultado do PIB com "entusiasmo", ele faz uma ressalva: "Esperamos agora que também o emprego tenha o mesmo nível de recuperação, para alcançarmos o nível de antes da crise".

Em sua visão, o cenário não altera, porém, a campanha salarial da categoria, já que as projeções foram realizadas por dados já conhecidos sobre a categoria.

A Força Sindical pretende usar o resultado na negociação. "Podemos afirmar que este crescimento da economia irá beneficiar as negociações salariais das categorias neste segundo semestre", defende nota.

A entidade classificou como "alentador" os dados divulgados. No texto, é destacada a importância do aumento da massa salarial de janeiro a julho, a política de reajuste do salário mínimo conquistado pelas centrais sindicais e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Para a CUT, o resultado valoriza a "presença decisiva do Estado para impedir uma possível recessão". A central considera que os dados comprovam que a retomada "deve se dar, de fato, com a intervenção do Estado".

"A CUT reitera que financiamentos feitos a partir dos bancos públicos, em especial pelo BNDES, devem ser acompanhados de contrapartidas sociais no sentido de garantir e ampliar emprego e renda", prossegue o texto.

Pior já passou

Representantes do setor empresarial concordam que as medidas de estímulo puxaram o PIB do segundo trimestre. As associações têm mais cautela ao avaliar que o crescimento não significa que a crise tenha ficado para trás por completo.

"Houve, de fato, retomada, mas a taxa de investimento ainda é baixa e é preciso observar o comportamento dessa taxa nos próximos meses", analisa o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda. A instituição aumentou a previsão de vendas do setor de 2,5% para 4,5% em 2009.

"A redução de impostos em áreas estratégicas tem participação forte na reversão da tendência do PIB", destaca Honda. Para o empresário, a recuperação é "lenta e gradual", e o desempenho permanece bastante aquém de 2008, quando o país cresceu em ritmo acentuado.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que a retração de 1,2% do PIB frente ao segundo trimestre de 2008 "explicita os danos ainda existentes, apesar do crescimento na margem". Crescimento para o setor terciário, na visão da CNI, só deve ser notado em 2010.

No caso da construção civil, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), a melhora é ainda superior à apurada pelo IBGE. A divergência se dá por uma questão metodológica. "Importantes indicadores como o de emprego, resultados de sondagens com empresários e o nível de estoques de certos produtos mostram que a construção não sentiu tanto a crise", afirmou Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon-SP.

Apesar do recuo no número de lançamentos imobiliários de setembro de 2008 a março de 2009, a injeção de recursos pelo governo teve papel importante para o setor. O resultado do ano deve ser positivo, prevê a instituição.

Com informações da Reuters e Agência Brasil

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