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Ceagesp vai estar no debate político de 2010

Empresa foi federalizada em 1997; a ideia era abrir o caminho para a privatização. Rede Brasil Atual traz série de reportagens especiais; veja álbum de fotos
por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado 10/07/2009 13h17, última modificação 10/07/2009 17h30
Empresa foi federalizada em 1997; a ideia era abrir o caminho para a privatização. Rede Brasil Atual traz série de reportagens especiais; veja álbum de fotos

Varejão de frutas, legumes e verduras ampliou área de abrangência da empresa (Foto: Lilian Uyema)

O cenário eleitoral de 2010 vai reacender as discussões sobre privatizações. O governador paulista José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência da Republica, depois de vender algumas empresas paulistas, ainda tem proposta de passar à iniciativa privada muitas outras. No centro desse debate vai estar a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que passou do controle do governo estadual para o federal, ambos tucanos em 1997. Segundo o presidente da Ceagesp, Rubens Boffino, esse processo foi um primeiro passo dado no sentido de vender a empresa.

Em entrevista exclusiva à Rede Brasil Atual, o presidente da empresa, Rubens Boffino, fala também sobre como a empresa persegue a profissionalização; sobre a comercialização no Brasil e em mais 18 países; sobre o valor que a Ceagesp agrega aos produtos com a classificação, e sobre o resultado recorde de vendas em 2008 e uma postura sustentável, de combate ao desperdício. Destaca que será muito difícil a empresa perder o caráter público porque a iniciativa privada não detém expertise no abastecimento como tem a administracão pública, cujo papel preponderante é de atendimento às populações.

Boffino acredita, então, que será muito difícil o retorno às políticas neoliberais porque toda a população, com a forte participação das classes D e E, que ascenderam socialmente, exige qualidade de produtos. "As grandes redes de abastecimento não focam apenas nessa atividade. Não abrem mão de seus lucros e, para absorverem a Ceagesp, seria necessário ter políticas de atendimento público, o que não é o caso", observa.

As privatizações deram certo em algumas empresas inchadas durante a ditadura. "Acontece que nem todas as empresas poderiam ser privatizadas. Quem é que esquece do apagão energético? Imagine faltar alimento como faltou energia. No caso da Ceagesp, essa proposta foi abortada e, quanto mais o tempo passa, mais a gente vê a necessidade de que a empresa continue sendo pública e que tenha parcerias com a iniciativa privada para melhorar a comercialização", diz Boffino. "Mas que sempre tenha a diretriz pública", completa.

"O Estado está sendo fortalecido. O estado mínimo do neoliberalismo é página virada não só no Brasil, mas tambêm nos Estados Unidos e Europa. Todos estão correndo atrás de se fortalecer porque a ascensão social das camadas populares faz com que todos exijam mais qualidade dos produtos", avalia Boffino. "Todos querem alface melhor, tomate melhor, não querem agrotóxicos, querem alimentação saudável, combater obesidade. Há um aprimoramento do mundo e das populações", avalia o presidente da Ceagesp.

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