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Aos 40 anos, Ceagesp persegue a profissionalização

Depois de trajetória de crescimento, planos de curto prazo incluem maior eficiência, climatização de entrepostos e melhoria na logística
por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado 10/07/2009 14h05, última modificação 10/07/2009 17h17
Depois de trajetória de crescimento, planos de curto prazo incluem maior eficiência, climatização de entrepostos e melhoria na logística

No dia 31 de maio passado, a Ceagesp completou 40 anos. A empresa surgiu em 1969 a partir da fusão de duas companhias mantidas até então pelo governo paulista: o Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Cagesp). Em 1997, foi vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Em vários momentos nessas quatro décadas a empresa foi se profissionalizando, explica o presidente da Ceagesp, Rubens Boffino. "No início, a entrepostagem era só atacadista e localizada na cidade de São Paulo. Depois, se expandiu para todo o estado e, em 1993, foi criado um novo segmento, com a inclusão do varejo aos negócios", recorda Boffino. Hoje são 13 entrepostos atacadistas.

Segundo ele, antes disso, as pessoas faziam as compras em grupos na Ceagesp para baratear os custos. Mas a criação de pequenos e supermercados, com o crescimento do capitalismo na área do abastecimento, fez com que esses comerciantes se profissionalizassem e descentralizassem o trabalho. "Daí, o consumidor começou a comprar no varejo e descobrir que é gratificante comprar com a qualidade do entreposto", declara Boffino. 

Da mesma maneira, a armazenagem se ampliou para todo o estado e foi ficando mais abrangente. No início, a empresa estocava café, depois produtos mais pontuais, grãos importantes. Mas, com o crescimento da agricultura brasileira, começou a armazenar milho, soja, açúcar. "Não era mais só o café", conta Boffino.

Colaborou para isso, de acordo com Boffino, um conhecimento adicional de engenharia, no desenvolvimento dos silos horizontais de armazenagem. "Esse nosso conhecimento é pioneiro", observa. "Se guardamos um pacote de açúcar em casa, ele empedra. Imagine guardar 600 e tantas mil toneladas. Para que isso não ocorra, há uma expertise de aeração e movimentação do produto, que é muito importante", detalha Boffino. Os silos horizontais e verticais têm essa vantagem de preservar o produto.

A Ceagesp pode estocar, simultaneamente, mais de um milhão de toneladas de produtos agrícolas. Além de grãos, como milho, trigo, feijão, soja, sorgo, café e outros, armazena sementes, farelos, produtos pelletizados (prensados) de soja e de cítricos, açúcar a granel e produtos embalados, agrícolas ou industrializados. São 34 unidades de armazenagem (19 funcionam ativamente) que fazem expurgo, secagem, limpeza e outros serviços que contribuem para reduzir perdas e elevar as condições de comercialização dos produtos.

No curto prazo

O presidente da Ceagesp avalia que no máximo em dois será possível climatizar toda a rede de entrepostagem como forma de garantir mais qualidade dos perecíveis. "Além disso, queremos melhorar a logística dos caminhões para que não tenha trânsito, poluição. Vamos descentralizar e fazer pontos de logística, vamos usar os entroncamentos do Rodoanel. Com isso, poderemos reduzir de 7 mil caminhões que passam por aqui para 2 mil ou 3 mil", prevê Boffino. Nas festas, o movimento triplica.

Ele garante que tudo isso é factível e tranquilo de ser feito. "Há costura política, de se fazer parcerias, costura profissional, mas todos estão empenhados nesse crescimento", garante Boffino.

Índice Ceagesp 

Os 40 anos também foram comemorados com o lançamento do Índice Ceagesp, com a aferição de 105 itens, incluindo os não sazonais. O objetivo é calcular a variação de preços no atacado. "Isso só é possÌvel se a empresa tem foco na prestação de serviço público", explica Boffino.

O Índice Ceagesp, divulgado mensalmente, é o primeiro balizador de preços de alimentos frescos no mercado. Os itens da cesta foram escolhidos pela importância dentro de cada setor e ponderados de acordo com a sua representatividade, segundo a empresa. 

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