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Gabrielli: etanol reduzirá mercado de gasolina a 17% até 2020

Segundo presidente da Petrobras, atualmente, cerca de 90% dos carros novos são flexíveis e consumidor brasileiro prefere o álcool
por Roberto Samora publicado 03/06/2009 09h46, última modificação 03/06/2009 09h47 © 2009 Thomson Reuters. All rights reserved.
Segundo presidente da Petrobras, atualmente, cerca de 90% dos carros novos são flexíveis e consumidor brasileiro prefere o álcool

São Paulo  - O mercado de gasolina para veículos leves no Brasil encolherá para 17% até 2020, ante pouco menos de 50% do total registrado atualmente, com o avanço do etanol decorrente do crescimento esperado da frota de carros "flex fuel" no país, previu nesta terça-feira (2) o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Ao mesmo tempo, o etanol utilizado nos veículos flexíveis (hidratado) atingirá 75% do mercado total de combustíveis até 2020, enquanto o diesel responderá por 7% das vendas e o álcool anidro, por apenas 1%, de acordo com dados apresentados durante palestra no Ethanol Summit.

"O etanol no Brasil cresce por decisão do consumidor, a existência do carro flex fuel mudou o panorama... Os postos de gasolina deveriam ser chamados de postos de etanol", declarou Gabrielli.

Segundo o presidente da Petrobras, o crescimento da frota "flex fuel" --atualmente, cerca de 90% dos carros novos são flexíveis-- só é e será possível porque o Brasil é um país "único" em termos de disponibilidade do biocombustível.

Em função dessa característica do mercado brasileiro de combustíveis, e também da ampla infraestrutura que o Brasil tem para distribuir o etanol, Gabrielli afirmou que "dificilmente teremos no mercado global o que teremos no Brasil".

Mesmo assim, ele avalia que o uso de etanol no mercado mundial crescerá de 5 a 15% nos próximos dez anos.

"Estamos prevendo um aumento de dez vezes no fluxo de comércio mundial (de etanol). Isso vai modificar a posição do Brasil e dos países do Sudeste Asiático (como fornecedores)", acrescentou.

Menos gasolina

Já o encolhimento esperado para o mercado de gasolina no país, segundo Gabrielli, levará a companhia a optar por não produzir o produto nas cinco novas refinarias que construirá na próxima década.

"Vamos construir cinco novas refinarias até 2017... as cinco novas refinarias serão otimizadas não para produzir gasolina, mas outros produtos. Mas vamos continuar produzindo gasolina nas outras refinarias", disse a jornalistas após a palestra.

Questionado se uma menor parcela de mercado para a gasolina interferiria nos planos da Petrobras para o pré-sal, ele afirmou que, com os novos campos abaixo da camada de sal, a estatal prevê aumentar a produção em 1,8 milhão de barris/dia. Mas ponderou que esse aumento no volume seria pequeno relativamente ao crescimento da demanda internacional por petróleo, indicando que o excedente será exportado.

"Além do aumento da produção de petróleo e gás, as novas refinarias aumentarão a capacidade de refino do Brasil dos atuais 1,9 milhão para 3,2 milhões de barris/dia. Isso significa que vamos processar uma quantidade maior do nosso petróleo, só que não serão refinarias que vão produzir tanta gasolina, vão produzir óleo diesel, querosene para aviação, GLP e outros produtos."

A Petrobras prevê aumentar sua produção total, até 2020, dos atuais 2,4 milhões de barris para 5,7 milhões de barris diários, em média, com a maior parte do aumento vindo do pré-sal.

Fonte: Reuters