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Empresas em paraísos fiscais têm mais de 3,4 mil imóveis em áreas nobres de São Paulo

ONG Transparência Internacional, que realizou o estudo, suspeita que os imóveis com proprietários não identificados sirvam para lavar dinheiro de corrupção
por Marli Moreira, da Agência Brasil publicado 10/04/2017 12h14
ONG Transparência Internacional, que realizou o estudo, suspeita que os imóveis com proprietários não identificados sirvam para lavar dinheiro de corrupção
Tatiana Sapateiro/CC
berrini

Região da Berrini, na zona sul de São Paulo, concentra a maioria dos imóveis com propriedade não declarada

Agência Brasil – Mais de 3,4 mil imóveis localizados nas áreas mais caras de São Paulo, avaliados em cerca de US$ 2,7 bilhões, pertencem a empresas ligadas às offshores - corporações abertas nos chamados paraísos fiscais, países que oferecem isenções de impostos, taxas e ainda mantém sob sigilo o nome do proprietário.

Esta constatação foi feita pelo estudo da Transparência Internacional, uma organização não governamental (ONG) com sede em Berlim, capital da Alemanha. A ONG suspeita de lavagem de dinheiro oriundo de desvios dos cofres públicos. A maioria dos imóveis que não tem os proprietários identificados ficam nas regiões das Avenida Luis Carlos Berrini, Avenida Paulista e Jardins.

O levantamento, intitulado São Paulo: a corrupção mora ao lado?produzido através do cruzamento de informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e do cadastro do IPTU da prefeitura, aponta que as empresas em regime de offshore detêm 3.452 propriedades, em São Paulo, onde estão sedes de mais da metade (65%) das companhias estrangeiras no Brasil. 

Em seu relatório, a ONG destaca que essa concentração se deve ao fato da presença na capital paulista da maior bolsa de valores da América Latina, a atual B3 (ex- BM&F Bovespa), que atrai os investidores para imóveis de grande valorização no mercado.

Mais da metade dessas empresas (87%) estão registradas em cinco localidades: nas lhas Virgens Britânicas, no Uruguai, nos Estados Unidos, no Panamá e na Suíça. Segundo o estudo, recursos originados de corrupções são aplicados em offshore, nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá, onde o anonimato no registro de empresas facilita que "corruptos driblem autoridades fiscais e policiais." 

A ONG acrescenta que em 70% dos 200 grandes casos de corrupção analisados pelo Banco Mundial, os arranjos corporativos secretos, como trusts e empresas offshore foram utilizadas para lavagem de dinheiro e para esconder o proprietário dos ativos adquiridos. A estratégia desses corruptos foi investir em imóveis que, conforme a ONG, tem risco relativamente baixo o que permite a lavagem de dinheiro de grandes quantias em única operação.

"Como os verdadeiros donos estão escondidos, não se sabe ao certo o montante de propriedades compradas com recursos da corrupção", cita o relatório. No estudo, a Transparência Internacional citou o caso do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso em 2015, por participar do esquema de corrupção na Petrobras. A ONG lembra que Cerveró foi sentenciado a cinco anos de prisão por comprar um apartamento de luxo no valor de US$ 2,4 milhões, no Rio de Janeiro, com recursos de propina e para isso utilizou uma empresa offshore.

O estudo alerta que "investidor offshore, age por meio de 'profissionais facilitadores' – advogados, contadores e corretores - podem controlar pessoas jurídicas no Brasil e, por meio dessas, comprar joias, iates e propriedades imobiliárias". Essas operações, muitas vezes, tentam ocultar os proventos e rastros da grande corrupção, diz a ONG.