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ONG quer 300 bicicletários em São Paulo até a Copa de 2014

por suzanavier publicado 20/09/2011 13h10, última modificação 20/09/2011 17h46

Ciclistas e usuários do metrô, no centro expandido de SP: caos do trânsito deve elevar oferta de bicicletários (Foto: ©Carlos Renno/CCSP)

São Paulo - Do interior de São Paulo, o jornalista Gabriel Pelosi trouxe a bicicleta e o hábito de  locomover-se com a "magrela" pela cidade. Mais que um hobby, a bicicleta supre o automóvel no dia de rodízio municipal de veículos e significa rapidez nos deslocamentos pela capital paulista. “São dez minutos até o trabalho”, cita.

Economia, trânsito caótico e cuidados com a saúde são os principais motivos que levam à opção pela bicicleta, explica Ismael Caetano, presidente do Instituto Parada Vital, responsável pelos bicicletários localizados em estações de metrô de São Paulo.

Na capital paulista, os bicicletários atendem a 10 mil pessoas por mês. Cerca de 60% dos usuários procuram o serviço para estacionamento das magrelas e continuam o trajeto utilizando metrô. Homens jovens têm sido o principal público dos bicicletários. Aos finais de semana, o fluxo é maior para empréstimo de veículos. Nesses dias, o aluguel de bicicletas ultrapassa 400 unidades.

Dados da pesquisa Origem/Destino do Metrô, de 2007, já indicava 305 mil viagens diárias de bicicleta em São Paulo. Marco Nordi, um dos coordenadores do grupo de trabalho sobre mobilidade urbana da Rede Nossa São Paulo, avalia que o número atualmente é bem maior.

Para André Pasqualini, dono de seis unidades, a bicicleta tem outras vantagens: estreita as relações e iguala as pessoas. Ao longo do último ano, ele diz que utilizou automóvel apenas três vezes. Nesses momentos, ele opta por alugar um veículo.

Com a bicicleta, ele se integra ao metrô ou, dependendo da conveniência, percorre toda a cidade em duas rodas. Para ir ao mercado, o ativista acopla um caixote ao veículo. Já para passear com o filho pequeno ele fixa uma cadeirinha. Até mudança ele e os amigos fazem com as bicicletas.

Outra vantagem, diz, é ter controle sobre sua agenda. “Eu programo e cumpro.” O uso de roupa social também não atrapalha o uso do modal. “Ando mais devagar para chegar com tranquilidade ao destino”, detalha. A sensação de não ser “mais um no caos”, também é importante diz Pelosi. Além de optar pela bicicleta uma vez por semana, em outros dias, ele pega carona com um colega de trabalho, na tentativa de evitar o uso diário do automóvel.

Na ausência de políticas de mobilidade urbana que privilegiem outros modais além do carro, os ciclistas vão abrindo caminho na marra. “Vai acontecendo (a preparação) na medida da adesão”, pontua Caetano. “Quanto maior o número de usuários, maior a força para discutir e exigir a bicicleta como meio de transporte.” Ele também acredita que a vivência vai levar os usuários  de outros modais a  se acostumarem com as bicicletas. “Estamos longe de estar preparados, mas não se deve parar por isso”, acentua. “Este é um caminho sem volta.”

Pasqualini sente que os motoristas já foram mais hostis. O momento é de mudança e aprendizado de ambas as partes. “Viajo pelo Brasil e avalio que o centro expandido de São Paulo é o melhor lugar em que já andei”, diz. “Quanto mais ciclistas, mais seguro o trânsito”, ensina. Ao mesmo tempo, ele já percebe motoristas com vergonha de usar carro.

Até a Copa de 2014, o Instituto Parada Vital espera ampliar a estrutura dos atuais 22 bicicletários para 300 pontos no centro expandido de São Paulo, com 10 unidades para empréstimo em cada um deles.

Como usar os bicicletários do metrô

Estacionamento é gratuito
Para estacionar a bicicleta, basta comparecer a um dos locais e apresentar qualquer documento com foto, número do CPF e comprovante de residência com data de vencimento de até 30 dias anteriores ao dia em que estiver efetuando o cadastro.

Empréstimos: pagamento a partir da 2ª hora
No caso de empréstimos é necessário um cartão de crédito com um limite disponível de R$ 350 para pré-autorização. A primeira hora de utilização da bicicleta é gratuita ,e para estimular a rotatividade, após esse período são cobrados R$ 2 por hora adicional. Grupos familiares podem realizar até quatro empréstimos no mesmo cartão. Da segunda à quarta bicicleta, são acrescentados R$ 50 por unidade no valor retido.

Quem não possui cartão de crédito pode comparecer à sede do Instituto Parada Vital (alameda Barão de Limeira, 985, 5º andar, Campos Elíseos das 08h30 às 17h30) munido de RG, CPF, comprovante de residência (originais e uma cópia) e uma foto 3X4 para confecção da carteirinha do UseBike, que dará acesso ao serviço. Após três dias úteis, período em que é feita a análise cadastral do solicitante, o Instituto emite um boleto bancário para pagamento de uma taxa de cadastro no valor de R$ 25 e de outros R$ 25 para créditos, que serão descontados conforme o tempo de uso da bicicleta (1ª hora gratuita; R$ 2 por hora adicional). Quando os créditos terminarem, basta o cliente solicitar um novo boleto pelo e-mail [email protected], pelo telefone (11) 3661-0332 ou pessoalmente (das 08h30 às 17h30). Ele será enviado por correio, e-mail ou poderá ser retirado na sede do Instituto. O valor das recargas é sempre de R$ 50, convertidos integralmente em créditos válidos por um ano.

Nas estações onde só há paraciclos (estacionamentos) não é necessário se cadastrar, apenas utilizar um cadeado próprio para prender a bicicleta.

Saiba onde o serviço está disponível.