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Estudo indica diminuição do plantio de coca na América do Sul

por Daniella Jinkings, da Agência Brasil publicado 02/03/2011 11h09, última modificação 02/03/2011 18h26

Repressão faz cair área de plantio de folhas de coca no continente pelo segundo ano consecutivo (Foto: Bernardo Gutierrez/Folhapress)

Brasília – Relatório divulgado nesta quarta-feira (2) pela Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (Jife), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), aponta uma diminuição global na produção de cocaína pelo segundo ano consecutivo, atribuída principalmente à significativa redução do cultivo de coca na Colômbia.

Em 2009, a área total de cultivo ilegal de coca na América do Sul era de 158,8 mil hectares, 8,8 mil hectares a menos que em 2008. Na Colômbia, o cultivo de coca em 2009 chegou a 68 mil hectares, o que representa uma redução de 16%. Em contrapartida, a produção na Bolívia aumentou para 30,9 mil hectares (1%) e no Peru, para 59,9 mil hectares (7%).

De acordo com o estudo, os cultivos ilícitos para a produção de drogas tendem a mover-se para novas áreas em resposta às campanhas nacionais de erradicação de substâncias ilícitas. “A Junta está preocupada com a possibilidade de que, mantida a tendência atual, o Peru desbanque a Colômbia como principal produtor de coca no mundo,  lugar que havia ocupado em 1996”, diz o relatório.

O documento também destaca que, enquanto o mercado de cocaína vem diminuindo na América do Norte, que corresponde a cerca de 40% do mercado mundial, na Europa o consumo continua aumentando (30% do mercado). A América do Sul corresponde a 20% do mercado consumidor.

A América Central e o Caribe, que não têm participação significativa no mercado de cocaína, continuam sendo importantes rotas para o tráfico de drogas ilícitas procedentes da América do Sul com destino à América do Norte e à Europa.

Brasil

Ainda segundo a Jife, em 2010, pelo menos 11 laboratórios de produção de cocaína foram descobertos no país pela Polícia Federal e por polícias estaduais em diversas operações. Os laboratórios são usados para transformar a pasta-base de coca, importada de outros países, no produto final a ser consumido pelos brasileiros, seja o cloridrato de cocaína (cocaína em pó), seja a pedra de crack, um subproduto da coca.

O Brasil continua sendo uma das principais rotas para remessas de drogas aos Estados Unidos e a países da África e Europa. Além disso, o relatório destaca o crescimento do consumo de crack no território brasileiro.

“O governo tem tomado medidas para conter o abuso dessa substância. Em maio de 2010, o governo desenvolveu um plano de ação contra o abuso do crack e de outras drogas. No âmbito desse plano, o governo alocou recursos consideráveis para a adoção de medidas contra o tráfico de drogas, principalmente nos municípios das regiões de fronteira”, diz o estudo.

Edição: Fábio M. Michel

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