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Poluição em São Paulo caiu 50% com greve de caminhoneiros e falta de combustível

Estudo realizado patologista Paulo Saldiva, com dados da Cetesb, indicam que a qualidade do ar ficou boa para todos os tipos de poluentes
por redação rba publicado 30/05/2018 12h02, última modificação 30/05/2018 15h28
Estudo realizado patologista Paulo Saldiva, com dados da Cetesb, indicam que a qualidade do ar ficou boa para todos os tipos de poluentes
Edilson Dantas/Folhapress
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Índice de poluição caiu 50% na cidade em apenas uma semana de redução do tráfego devido às greve de caminhoneiros

São Paulo – A redução do tráfego de carros, caminhões e ônibus na capital paulista, provocada pela greve de caminhoneiros iniciada na semana passada, resultou em uma redução de 50% no nível dos poluentes no ar em toda a cidade, segundo estudo conduzido pelo patologista Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). Embora a poluição tenha aumentado inicialmente, devido à liberação de rodízio a partir da quinta-feira passada, em sete dias de greve as emissões em São Paulo caíram pela metade em duas estações – Ibirapuera e Cerqueira Cesar – do Sistema de Informações de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“Houve uma redução de 50% da poluição na capital paulista. Esse é um episódio raro e vamos estudar suas consequências na saúde pública. Quem sabe essas evidências quantitativas sirvam de argumento para a criação de políticas públicas”, disse o patologista, durante apresentação no evento Diálogos Interdisciplinares sobre Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp).

O estudo ainda é preliminar, mas Saldiva acredita que o episódio pode ter um papel educativo. “Talvez esse estudo convença as pessoas de que a volta ao diesel seja transitória. Talvez isso crie um capital político para que essas mudanças para reduzir a poluição – como melhoria do transporte coletivo, adoção de matriz energética mais limpa, adensamento urbano – sejam mais toleráveis pela população”, disse. 

Saldiva comparou os dados relativos aos índices de monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (N2O) e partículas inaláveis, todos relacionados à liberação da queima de combustíveis fósseis. Os três índices são mais altos às segundas e sextas-feiras, quando há maior volume de tráfego na cidade, e caem nos fins de semana.

“Na semana anterior ao episódio, a maior poluição foi na segunda e na sexta. Na primeira semana da greve, a poluição começou alta e piorou com a liberação do rodízio no dia 24. Quando a gasolina começa a rarear, há menos carros nas ruas e a frota de ônibus segue reduzida, os níveis de poluentes primários caem pela metade”, disse.

A equipe de pesquisadores do IEA pretende utilizar esses dados para fazer uma análise mais completa do fenômeno, cruzando os níveis de poluição e de congestionamento na cidade com os dados diários de mortalidade e internações no período. O objetivo é medir o custo real da poluição. “A poluição tem um custo alto em saúde. Existe a chamada perda de capacidade produtiva de uma população economicamente ativa, ou seja, quanto dinheiro o Brasil perde por uma fração produtiva da sua população morrer antes da hora estipulada”, disse Saldiva.

A medição desse custo é chamado índice Daly (sigla em inglês para Disability Adjustment Life Years). “Isso é uma moeda que pode ser precificada pelo PIB per capita regional e dá um custo astronômico. Todo mundo sabe o preço de mudar, mas ninguém sabe o preço de manter. Esse experimento vai permitir saber esse imposto oculto, provavelmente muito maior que o subsídio. É uma perda da saúde que todos pagamos e que não temos defesa individual: a poluição atmosférica”, disse.

Com informações da Agência Fapesp