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Em 15 meses de governo, 55% das metas de Doria não tiveram resultado

Das 53 metas propostas pelo agora ex-prefeito, 20 foram iniciadas, 29 não tiveram nenhum resultado e apenas quatro foram cumpridas
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 17/04/2018 16h56, última modificação 20/04/2018 08h11
Das 53 metas propostas pelo agora ex-prefeito, 20 foram iniciadas, 29 não tiveram nenhum resultado e apenas quatro foram cumpridas
Suamy Beydoun/Agif/Folhapress
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Doria estabeleceu apenas 53 metas, menos da metade da gestão de Fernando Haddad (PT), mas pouco efetivou

São Paulo – A primeira análise do Programa de Metas da gestão do agora ex-prefeito da capital paulista e pré-candidato ao governo de São Paulo, João Doria (PSDB), mostra avanços tímidos e incertezas quanto ao cumprimento dos 53 objetivos traçados por ele no ano passado. Apenas quatro metas foram alcançadas, sendo duas de procedimentos burocráticos, uma que ainda necessita de manutenção da ação e outra para a qual já foi revelada uma manobra da prefeitura para atingir o resultado. Outras 20 metas apresentam resultados parciais e 29 delas, que correspondem a 55% das metas, não tiveram nenhum avanço significativo.

Dentre as metas alcançadas estão o encaminhamento de todas as denúncias sobre direitos humanos recebidas e reduzir o tempo de abertura de empresas de baixo risco para 5 dias. Outra meta é a de reduzir em 500 mil toneladas o lixo enviado aos aterros. Porém, esta meta precisa ser mantida nos próximos três anos. Com resultados questionáveis, a meta de “assegurar acolhimento para, no mínimo, 90% da população em situação de rua” foi cumprida. No entanto, ao menos um Centro Temporário de Acolhida (CTA) foi fechado pouco depois de aberto sem nenhuma justificativa plausível. Os equipamentos foram levados para outra unidade.

De uma forma geral, a gestão Doria cumpriu 20% da execução do Programa de Metas no primeiro ano. Dentre as 29 metas em que não houve qualquer avanço, cinco são de saúde, outras cinco de educação, todas as de mobilidade urbana e algumas de habitação, assistência social, direitos humanos e obras. O coordenador da Rede Nossa São Paulo Américo Sampaio pondera que algumas ações ainda estão dentro do prazo para apresentar resultados, como no caso de saúde e educação.

Assista também a reportagem da TVT

Ele considera que os pontos de maior preocupação estão nas pautas de mobilidade e habitação. “Na habitação, o resultado do primeiro ano indica uma dificuldade em cumprir a meta até 2020. E na mobilidade as ações do governo são contraditórias com as metas estabelecidas, de reduzir as mortes e ampliar o modo ativo de deslocamento, ou seja, por bicicleta ou a pé”, afirmou.

No primeiro caso, a meta é de entregar 25 mil unidades habitacionais até 2020, mas neste primeiro ano foram entregues somente 1.700. Já na mobilidade, o aumento de velocidades nas vias marginais e a exclusão de alguns trechos de ciclovias, aliada à não construção de nenhuma nova rota para bicicletas, vão na contramão do proposto pela gestão Doria no Programa de Metas.

O vereador Toninho Vespoli (Psol) considera que o resultado parcial do Programa de Metas é a imagem da gestão Doria. “Ele foi o prefake de São Paulo. Muita promessa, muita rede social, muita propaganda, mas na prática é isso que nos mostram as metas: pouco resultado”, afirmou. “É muito evidente na assistência social. CTAs recém abertos sem prestar atendimento à população. Mas também na cultura, onde o orçamento e muitos programas para a juventude foram brutalmente cortados”, completou.

Entre as ações em andamento com potencial de serem plenamente cumpridas estão: reduzir o tempo de espera para exames prioritários; criar 2000 novas vagas para atendimento humanizado em saúde e assistência social; reduzir 20% das despesas operacionais; e garantir ações concentradas de zeladoria urbana em 200 eixos e marcos estratégicos da cidade de São Paulo. Quando o programa foi lançado, organizações apontavam que a proposta era muito vaga e não respondia aos desafios da cidade.