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Pressão popular evita corte em linha de ônibus da zona leste de São Paulo

Moradores do Jardim Helian protestaram contra mudanças na linha 251F, que liga os terminais São Mateus e A.E. Carvalho e conseguiram vitória
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 18/08/2017 12h35, última modificação 18/08/2017 12h49
Moradores do Jardim Helian protestaram contra mudanças na linha 251F, que liga os terminais São Mateus e A.E. Carvalho e conseguiram vitória
Eduardo Anizelli/Folhapress
leste

A zona leste é a que teve maior número de linhas extintas ou alteradas desde o início da gestão Doria

São Paulo – Após mobilização de moradores do Jardim Helian, na zona leste da capital paulista, a gestão do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), decidiu rever a redução de itinerário da linha 253F-10 Term. A. E. Carvalho - Term. São Mateus, que passaria a atender somente até a estação Dom Bosco, da Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a partir de amanhã (19).

A medida reduziria o trajeto de 18 para seis quilômetros e forçaria os usuários a fazer baldeação ou integração tarifada com a rede de trens, além de deixá-los sem integração direta com o sistema de ônibus metropolitano que atende no terminal São Mateus, ligando a zona leste com a região do ABC paulista.

Nessa quinta-feira (17), moradores do Jardim Helian protestaram na sede da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes contra o corte da linha. Eles estimam que 40 mil pessoas seriam afetadas pela alteração, que deixaria 15 ruas sem ônibus. Isso porque a linha 253-F atende, além dos terminais e bairros, o Sesc Itaquera, o planetário do Carmo e uma empresa de call center com cerca de dois mil funcionários. O itinerário existe há aproximadamente 25 anos e já sofreu pequenas alterações, mas sem afetar significativamente o percurso.

Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Helian, Rodrigo Reis, a secretaria vai realizar audiências com a população e avaliar a melhor alternativa para a região. “Não teve nenhum diálogo anterior. Soubemos por conta do aviso na própria linha. Entramos em contato com a SPTrans antes, mas fomos ignorados. Só com a ação de ontem fomos ouvidos”, explicou Reis.

Ontem a RBA noticiou que, desde 1º de janeiro, a gestão Doria já eliminou 51 linhas de ônibus em várias regiões da cidade, das quais 50 eram diárias e uma noturna. Outras 29 linhas foram alteradas, cinco deixaram de circular aos sábados, 12 não rodam mais aos domingos e feriados e 12 tiveram seus itinerários reduzidos, passando a exigir integração dos passageiros para chegar ao destino atendido anteriormente. Mais cinco serão alteradas em breve, dentre as quais estava a linha 253-F.

Das nove regiões da cidade em que está dividido o transporte coletivo de ônibus, somente a zona sudeste (5) não teve mudanças em linhas. A região central (9) não é origem de linhas, apenas destino. A zona leste (áreas 3 e 4) teve mais modificações, com 32 linhas alteradas. Em seguida vem a zona sul (áreas 6 e 7), com 25 mudanças. A região norte (2) teve 14 mudanças. A região oeste (8) teve sete alterações e a noroeste (1) teve seis modificações, aqui consideradas as cinco que vão ocorrer até o final do mês.

A maior parte das linhas extintas são as chamadas linhas de apoio. A rede de transporte coletivo é projetada com uma linha base, que tem o código 10 após o número da linha. As linhas de apoio têm o mesmo número, mas apresentam códigos diferentes: 21, para itinerário mais curto; 31, para o mesmo ponto final passando por outras ruas, e 41 para extensão além do ponto final original. As linhas de apoio servem para desafogar o sistema, oferecendo itinerários alternativos que contribuem para reduzir a lotação da linha base.

Em nota emitida ontem, a SPTrans informou que as alterações operacionais realizadas ao longo de 2017 têm como objetivo tornar o sistema municipal de transporte coletivo mais eficiente e dar fluidez aos ônibus, diminuindo a sobreposição de linhas e possibilitando diminuir o intervalo entre veículos, tornando as viagens dos passageiros mais confortáveis e rápidas.