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Piauí, principal testemunha da morte de catador, morre em hospital de SP

Agredido e ameaçado por policiais na cena do crime, Gilvan Artur Leal foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), nesta quinta-feira (20)
por Redação RBA publicado 21/07/2017 14h05
Agredido e ameaçado por policiais na cena do crime, Gilvan Artur Leal foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), nesta quinta-feira (20)
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Segundo moradores da região, Piauí estava abalado e sofria diariamente com a morte do amigo

São Paulo – O morador em situação de rua Gilvan Artur Leal, conhecido como Piauí, morreu no final da tarde desta quinta-feira (20), aos 53 anos, na Santa Casa de São Paulo. Há uma semana, ele presenciou a morte do amigo e catador Ricardo Nascimento, morto por um policial militar com três tiros em Pinheiros, zona oeste da capital.

Agredido e ameaçado por policiais na cena do crime, Gilvan foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, possivelmente decorrente de hipertensão prolongada. Em nota, os moradores de Pinheiros afirmam que Piauí estava abalado, chorava diariamente e relatava ter medo das ameaças que tinha sofrido da PM. Ao lado da carroça do Ricardo, dizia para os moradores da região: "mataram meu irmão, e eu sou o próximo".

Gilvan Artur foi levado ao hospital na quarta-feira (19), após ter convulsões, enquanto estava no abrigo Dom Bosco, na rua Dino Bueno, no centro de São Paulo.

Ainda segundo relato dos moradores de Pinheiros, no dia do assassinato, quando Ricardo levou o primeiro tiro da polícia, Piauí tentou se aproximar. Os policiais pediram para ele colocar a mão na sarjeta e pisaram nos dedos dele e, com a arma apontada, disseram: "sai que vai sobrar pra você".  

Na quarta, foi realizada a missão de 7º dia de Ricardo, na Praça da Sé, centro de São Paulo, marcada por emoção e revolta. No último sábado (15), o morador de rua assassinado também foi homenageado com um evento no auditório do Ibirapuera.