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três tiros

Manifestantes prestam homenagem a catador morto pela PM

Ricardo Silva Nascimento, conhecido como Negão, tinha 39 anos e morreu em ação policial na Vila Madalena, região nobre de São Paulo
por Redação RBA publicado 13/07/2017 19h30, última modificação 14/07/2017 09h44
Ricardo Silva Nascimento, conhecido como Negão, tinha 39 anos e morreu em ação policial na Vila Madalena, região nobre de São Paulo
reprodução/facebook/ Maria Celia Giudicissi Rehder
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Ricardo com moradoras da região. De acordo com relatos, o catador tinha a simpatia da comunidade

São Paulo – Manifestantes compareceram nesta quinta-feira (13) à Rua Mourato Coelho, esquina com a Navarro de Andrade, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Ontem (12), Ricardo Silva Nascimento, conhecido como Negão, foi morto por policiais militares no local.

Por volta das 18h, os presentes fizeram uma intervenção com velas e pintaram um corpo no chão em homenagem ao catador morto, que tinha 39 anos. “Foram três tiros covardes. Depois do primeiro tiro, o policial ainda disparou mais duas vezes. Covarde, fascista. Assassino. Mataram um inocente, alguém pode me explicar? Foi a Polícia Militar”, disseram os presentes em coro.

De acordo com testemunhas, Ricardo teria pedido comida em uma pizzaria. Ao ter seu pedido negado, teria ficado agressivo, o que motivou os funcionários a chamarem a polícia. Ainda segundo depoimentos, houve uma breve discussão antes de um dos policiais que havia chegado ao local disparar contra Nascimento.

José Augusto Alves Neto, 62 anos, viu a ação de dentro de um supermercado próximo, conforme relatou ao site Ponte Jornalismo. “Ouvimos a discussão, vi claramente o PM apontar a arma para o pobre coitado e depois [deu] dois tiros, e o cara estava no chão. Não foi tiroteio, não foi nem resistência armada. Foi execução”, contou. Após os disparos, os policiais recolheram as cápsulas e colocaram o corpo dentro da viatura.

O corpo de Ricardo será levado amanhã, às 14h, do Instituto Médico Legal (IML) para o cemitério Dom Bosco de Perus, onde será sepultado. “Não somos invisíveis, somos pobres, negros, porém resistimos. Somos vidas”, afirmaram, em jogral, os catadores que compareceram à manifestação para prestar homenagem e protestar contra a violência policial.

A carroça do catador ainda está no local, e foi onde muitos manifestantes deixaram flores e velas. Entre eles, Maria Celia Rerhder, que não sabia da movimentação, mas quis prestar a homenagem. “Esse é o Ricardo que está estampado nos noticiários de hoje baleado pela PM em Pinheiros. Não consigo acreditar ao ouvir as notícias. Choro, porque o choro é filtro do coração”, disse. A região onde o catador foi assassinado é uma das mais ricas de São Paulo. Após as homenagens, os presentes saíram em passeata pela Rua Teodoro Sampaio.

 Policias afastados

Dois policiais militares envolvidos na morte do carroceiro Ricardo Silva Nascimento, o Negão, de 39 anos, foram afastados pela SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo).

Um dos afastados é José Marques Medalhano, de 23 anos, apontado por testemunhas como o autor dos disparos contra Negão. Medalhano não tem histórico de denúncias feitas à Ouvidoria das Polícias de São Paulo.

Além dos dois PMs, os integrantes da guarnição de Força Tática que prestou apoio na ocorrência também foram afastados, direcionados para serviços administrativos, enquanto o caso é apurado. Foi instaurado inquérito policial militar no 23º BPM.

“O DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa) instaurou inquérito, ouviu testemunhas e encaminhou a arma do PM envolvido na ocorrência para perícia. A polícia irá analisar imagens de câmeras a segurança da região”, explicou a SSP, em nota à imprensa.

Assista aos relatos de testemunhas que conversaram com os Jornalistas Livres:

* Com informações da Ponte