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Representantes de Alckmin ignoram comissão e não falam sobre assédios no Metrô

Total de ocorrências cresceu 353% entre 2015 e 2016. Convocados para prestar esclarecimentos, representantes do governo não compareceram. "Desrespeitaram a população paulista", afirma deputada
por Redação RBA publicado 07/06/2017 19h00
Total de ocorrências cresceu 353% entre 2015 e 2016. Convocados para prestar esclarecimentos, representantes do governo não compareceram. "Desrespeitaram a população paulista", afirma deputada
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Discussão de propostas para combater o assédio ignorada pelo governo Alckmin estava marcada para hoje

São Paulo – O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, e o presidente da Companhia do Metropolitano (Metrô), Paulo Menezes Figueiredo, foram chamados à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre o crescimento de 353%, entre 2015 e 2016, no número de assédios a mulheres registrados no Metrô. Mas os representantes do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) ignoraram a convocação. “Não só desrespeitaram essa Comissão, as deputadas e deputados que dela fazem parte, mas principalmente a população paulista”, diz a vice-presidente da Comissão e autora do requerimento, Beth Sahão (PT).

A discussão de propostas para combater esses crimes estava marcada para a tarde de hoje (7). “Infelizmente, a reunião não teve quórum. Para a nossa surpresa, eles não compareceram. Vamos refazer esse requerimento, agora na forma de convocação, e eles serão obrigados a virem nessa Comissão para dar explicações do porquê isso tem acontecido no Metrô”, acrescenta a deputada. Ela pretende ouvir os representantes do governo nas próximas semanas. Em 2015, foram registradas 165 ocorrências do tipo, ante 748 em 2016, de acordo com levantamento do portal UOL, via Lei de Acesso à Informação.

“Vamos manter nossa atenção sobre isso, nossos trabalhos, e esperamos ter a presença desses senhores para que tragam suas explicações, que tenho certeza não vão nos convencer, mas podemos estabelecer um diálogo e apresentar propostas para que essas práticas criminosas sejam combatidas”, afirma a parlamentar. Entre as propostas, constam soluções de problemas como “a falta de equipamentos modernos de segurança, de câmeras, treinamento e capacitação de seguranças, campanhas educativas permanentes e não pontuais”.

Uma das principais reivindicações, diz Beth, é que o Metrô crie um departamento específico “para receber denúncias das mulheres e tratá-las de forma respeitosa”. O problema de assaltos dentro dos trens também seria discutido durante a audiência. No período entre 2015 e 2016, o número desse tipo de ocorrência aumentou em 260%. “Os números são alarmantes e queremos uma resposta objetiva por parte das autoridades responsáveis”, afirma a deputada.

Assédio e espancamento

Estava programada ainda uma discussão sobre Luiz Carlos Ruas, vendedor espancado até a morte por dois homens na estação Pedro II na noite de 25 de dezembro de 2016. “A falta de segurança que existe no Metrô ocasionou a morte brutal de um homem que foi defender uma mulher que estava sendo vítima de assédio (…) Na ocasião, causou espanto a todos o fato de que, enquanto o vendedor era covardemente agredido por seus algozes, nenhum segurança apareceu para socorrê-lo. De acordo com a denúncia, a única dupla de agentes que realizava plantão precisava se desdobrar para atender às outras estações, algo humanamente impossível”, diz Beth. “A atitude de ambos (o secretário e o presidente da empresa) é um desrespeito para com a memória de Luiz Carlos. Desrespeito para com milhões de mulheres que se sentem inseguras ao utilizar o Metrô.”