Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2017 / 06 / Doria comete gafe em coletiva sobre a Parada LGBT: 'Todos têm direito às suas opções'

São PAulo

Doria comete gafe em coletiva sobre a Parada LGBT: 'Todos têm direito às suas opções'

Com discurso cauteloso, prefeito fez uma fala destacando potencial turístico e econômico da Parada e disse torcer por 'tempo bom'
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 13/06/2017 15h19, última modificação 13/06/2017 17h01
Com discurso cauteloso, prefeito fez uma fala destacando potencial turístico e econômico da Parada e disse torcer por 'tempo bom'
Secom/prefeitura SP
doria

Doria, ao centro, não escapou de gafe, ao utilizar termo 'opção sexual' no lugar de 'orientação sexual'

São Paulo – O prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), anunciou nesta terça-feira (13) a programação da 21ª Parada do Orgulho LGBT, que será realizada no próximo domingo (18), na Avenida Paulista. Apesar da cautela, o prefeito cometeu uma gafe ao destacar que não importa a opinião de cada um, desde que prevaleça o respeito "porque todos têm direito às suas opções (sexuais)". A fala causou desconforto em alguns presentes, já que a expressão apropriada é "orientação sexual".

"A gente não escolhe ser gay. Não é uma escolha que a gente faz. A gente nasce com essa predisposição, seja homossexual ou heterossexual. O termo 'opção' é mais ofensivo do que qualquer outro termo, pois a sensação que dá – e é justamente o que os conservadores usam para nos atacar – é que se trata de uma escolha, e se a gente quiser, pode mudar. O prefeito sem querer falou, mas o pessoal, na sequência, corrigiu. Tem que sumir com essa palavra 'opção'", explicou a presidenta da Associação Parada do Orgulho LGBT, Cláudia Regina.

O lema da Parada será "Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico". "Não podemos permitir que grupos extremistas tomem o Estado, por meio de conchavos políticos eleitorais. O Estado precisa ser de todos. Um dia espero que a Parada seja somente um evento festivo. Por enquanto, ainda é de luta", afirmou Cláudia, que listou uma série de casos de violência contra a população LGBT no Brasil e no mundo. "Infelizmente, a maior parte desses casos é motivada por intolerância baseada em preceitos religiosos", completou.

Ela cobrou ainda a retomada de discussões sobre gênero e diversidade sexual nas escolas municipais, ponto excluído do Plano Municipal da Educação por atuação da bancada evangélica na Câmara Municipal. "Tivemos poucos avanços. Mas sem propor o respeito e a tolerância na educação, logo teremos novos retrocessos", ponderou.

O prefeito não vai participar do evento. Doria explicou que no domingo é aniversário de sua filha Carolina, que completa 15 anos, com quem já havia combinado uma viagem festiva a Porto Rico. Em seu lugar irá o vice-prefeito, Bruno Covas.

Durante o evento, haverá comercialização de produtos pensados especialmente para a Parada, com um percentual das vendas destinadas à Casa 1, que abriga pessoas expulsas de casa por sua orientação sexual ou identidade de gênero. A empresa de transporte Uber lançou uma cartilha destinada aos motoristas parceiros, com objetivo de informá-los sobre respeito e direitos da população LGBT.

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é considerada a maior do mundo. A prefeitura estima a participação em três milhões de pessoas. O evento contará com 19 trios elétricos e a participação das cantoras Daniela Mercury, Anitta, Naiara Azevedo, Lorena Simpson entre outros artistas. A concentração terá início às 10h, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). A partir do meio dia, os participantes seguem em marcha pela Rua da Consolação, até o Vale do Anhangabaú, onde serão realizados os shows.

A prefeitura concedeu apoio em infraestrutura da ordem de R$ 1,5 milhão. A expectativa é que a parada arrecade R$ 45 milhões aos cofres públicos. Na próxima quinta-feira (15), será aberta a Feira da Diversidade, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, das 10h às 22h.