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Aumento de violência contra indígenas tem influência da CPI da Funai, diz CNBB

Neste ano, 40 mortes foram registradas nas regiões camponesas; para dom Murilo, parlamentares desrespeitaram direitos conquistados pelos povos indígenas
por Redação RBA publicado 28/06/2017 12h09, última modificação 28/06/2017 12h22
Neste ano, 40 mortes foram registradas nas regiões camponesas; para dom Murilo, parlamentares desrespeitaram direitos conquistados pelos povos indígenas
Antonio Cruz/Arquivo Agência Brasil
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Indígenas participaram da CPI da Funai, mas pouco foram ouvidos pelos parlamentares ruralistas

São Paulo – Somente neste ano, ao menos 40 mortes em conflitos no campo já foram confirmadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). De acordo com o vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Murilo Krieger, o aumento da violência nesta região é influenciada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai), que criminalizou movimentos indígenas. O relatório final da CPI, apresentado no dia 9 de maio, indiciou mais de cem pessoas, entre lideranças indígenas, antropólogos, procuradores e missionários do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). "Desde que a CPI começou a funcionar, aqueles que quiseram ocupar mais terras utilizaram mais violência para isso", afirmou, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Em nota, a CNBB manifestou apoio ao Cimi e denunciou desrespeito a direitos conquistados pelos povos indígenas. "O indiciamento de missionários do Cimi é uma evidente tentativa de intimidar esta instituição tão importante para os indígenas, e de confundir a opinião pública sobre os direitos dos povos originários", disse o texto.

Segundo Dom Murilo, a CPI, formada por ruralistas, foi anti-democrática e unilateral, pois "só deu voz para quem era contra os indígenas". "Essa CPI só não sentenciou fazendeiros. A CNBB prestou apoio porque vimos que é uma comissão com cartas marcadas, feita para condenar aqueles que defendem indígenas. Eles querem mostrar que os índios não têm direitos e que suas terras podem virar fazendas", criticou.

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