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SBT entra no socorro à propaganda enganosa de Temer pela reforma da Previdência

Emissora utiliza narrador oficial para fazer perguntas apocalípticas ao telespectador. Mesmo com mídia à disposição, Temer perde disputa na opinião pública. Rejeição a seu governo e apoio à greve geral crescem
por Redação RBA publicado 24/04/2017 12h56, última modificação 24/04/2017 17h02
Emissora utiliza narrador oficial para fazer perguntas apocalípticas ao telespectador. Mesmo com mídia à disposição, Temer perde disputa na opinião pública. Rejeição a seu governo e apoio à greve geral crescem
REPRODUÇÃO/SBT
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Anúncios do SBT duram em torno de 10 segundos, mas não dão maiores explicações sobre o tema

São Paulo – O SBT passou a veicular, desde a última sexta-feira (21), propagandas a favor da reforma da Previdência. O canal utiliza seu narrador oficial para fazer perguntas apocalípticas ao telespectador. A publicidade vem depois de encontro mantido entre Michel Temer e Silvio Santos, dono da emissora.

"Você sabia que se não for feita a reforma da Previdência você pode deixar de receber seu salário?" e "Você sabe que alguns estados brasileiros estão sem dinheiro para pagar suas contas? Você quer que aconteça o mesmo com o Brasil?", diz os anúncios, sem dar maiores explicações sobre o tema. 

No último dia 10, o jornal O Estado de S. Paulo afirmou que o Planalto busca atrair apoio através da distribuição de verbais federais de publicidade em emissores de rádio e televisão. Segundo a matéria, os veículos de comunicação que aderirem à campanha terão direito à publicidade federal. Além disso, o governo também conta que os responsáveis pela indicação da mídia que receberá a verba publicitária são deputados e senadores.

No início do mês, a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, autorizou o governo Temer a veicular propagandas sobre a reforma da Previdência. A decisão suspendeu liminar da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, do dia 15 de março, que proibiu a veiculação de campanha. 

A ação da ministra do STF foi criticada. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul (Sintrajufe-RS), Ruy Almeida, disse à RBA que o deferimento "representa a defesa política de um governo por parte do Judiciário".

O presidente Michel Temer tenta manter a confiança do mercado que o levou ao poder e diminuir a rejeição da população sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287. Uma nova pesquisa CUT/Vox Populi, divulgada no último dia 13, aponta que 93% dos brasileiros são contra as medidas de desmonte da aposentadoria e apenas 5% aprovam o governo Temer. 

Além dos movimento sindical e movimentos populares, setores organizados da sociedade, inclusive alguns que apoiaram o impeachment, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já se manifestam de maneira categórica contra as reforma da Previdência e trabalhista. Além dessas medidas, a resistência à terceirização e o mote "nenhum direito a menos" integram a pauta que unifica centrais e frentes populares na preparação de greve geral na próxima sexta-feira (28).