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Pressionado e exposto, Kassab volta atrás e descarta mudanças na banda larga fixa

Antes do desmentido oficial, ministro teve dados pessoais vazados pelo grupo Anonymous, como forma de mostrar poder "contra um governo que parece ter perdido o medo do povo"
por Redação RBA publicado 14/01/2017 13h50, última modificação 14/01/2017 14h27
Antes do desmentido oficial, ministro teve dados pessoais vazados pelo grupo Anonymous, como forma de mostrar poder "contra um governo que parece ter perdido o medo do povo"
Marcos Oliveira/Ag. Senado
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Anúncio "equivocado" de que colocaria em vigor a limitação do uso de internet fixa no país pode provocar problemas políticos e pessoais ao ministro Kassab

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, negou ontem (13) que o governo fará mudanças no modelo atual de planos de banda larga fixa.

Um dia antes, em entrevista ao site de notícias Poder 360, Kassab disse que o governo autorizaria a limitação de dados da banda larga fixa, com a liberação de venda de pacotes de acesso limitado pelas operadoras. "A nossa meta é no segundo semestre", disse o ministro na entrevista. A declaração causou polêmica entre os consumidores de banda larga nas redes sociais.

O próprio presidente da Anatel, Juarez Quadros, desmentiu o ministro, afirmando que Kassab "se equivocou" sobre o novo modelo em debate com as operadoras. “Não queremos tocar nesse assunto tão cedo”, disse Juarez, ao jornal O Estado de S.PauloO recuo do ministro veio logo depois. "Em virtude da polêmica e da grande repercussão, reafirmo que não haverá mudanças no modelo dos planos de banda larga da internet fixa.", publicou Kassab, em seu perfil no Twitter.

Porém, entre as declarações de Quadros e o desmentido oficial de Kassab, a célula brasileira do grupo hackerativista Anonymous resolveu vazar dados pessoas do ministro e sequestrar a base de dados da Anatel como forma de aviso.

"O governo voltou atrás, mas o nosso aviso é permanente. Esse vazamento é uma pequena demonstração do que somos capazes de fazer contra um governo que parece ter perdido o medo do povo. Não tem problema, nós estamos aqui para lembrá-los", escreveram, na página oficial do grupo no Facebook.

O Anonymous vazou dados pessoais de Kassab como números de telefone e celulares, telefones de familiares, endereços, CPF, patrimônios e outros. Como forma de mostrar ao ministro o "poder" que o povo tem, o grupo sugeriu que os seguidores da página utilizem os dados de Kassab para, por exemplo, criar uma conta no Netflix ou Spotfy ou ainda ligar em sua operadora de internet e mandar cancelar o serviço utilizando seu CPF.

Procurada, a assessoria de Kassab afirmou que não vai se manifestar sobre o vazamento. A veracidade das informações divulgadas também não foi confirmada. Também não há notícias de que o ministro tenha decidido negar o que havia dito antes a partir do vazamento de informações pessoais.

Atualmente, as operadoras de serviços de internet em banda larga fixa estão proibidas por decisão cautelar de restringir a velocidade, suspender serviços ou cobrar excedente caso seja ultrapassado o limite da franquia. Segundo a determinação, ficou estabelecida multa diária de R$ 150 mil em caso de descumprimento, até o limite de R$ 10 milhões.

Consumidores

Dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o número de contratos do serviço banda larga fixa no Brasil cresceu 0,32% em novembro de 2016 em relação ao mês anterior. No período, a rede ganhou 84.101 assinantes. No total, são 26.721.608 acessos de banda larga fixa no país. Nos últimos doze meses, o serviço aumentou 5,06%, atingindo 1.286.277 assinaturas.

Nos últimos doze meses, o estado do Amapá teve o maior crescimento no número de assinantes (127,76%), seguido pelo Maranhão (12,19%) e Rondônia (11,52%).

Com Agência Brasil e Revista Fórum