Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2017 / 01 / Passe Livre mantém ato contra reajuste das tarifas de integração em São Paulo

não ao reajuste

Passe Livre mantém ato contra reajuste das tarifas de integração em São Paulo

Apesar da suspensão do reajuste pela Justiça, movimento confirma manifestação, que terá concentração nesta quinta-feira (12) às 17h na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 11/01/2017 18h59, última modificação 11/01/2017 19h10
Apesar da suspensão do reajuste pela Justiça, movimento confirma manifestação, que terá concentração nesta quinta-feira (12) às 17h na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista
Danilo Ramos/ RBA
Passe Livre

"Mesmo que Justiça tenha suspendido aumento, temos que continuar na rua", diz Passe Livre

São Paulo – Apesar de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, ambos do PSDB, terem acatado ordem judicial e suspendido ontem (10) o reajuste da tarifa de integração dos ônibus com trens e Metrô, o Movimento Passe Livre (MPL) manterá ato de amanhã (12), que está marcado desde que o reajuste foi anunciado, em 30 de dezembro. A concentração será a partir das 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Os manifestantes seguirão até a casa do prefeito João Doria, no Jardim Europa, zona oeste da cidade.

O governo estadual está recorrendo da decisão para restabelecer o aumento. “Vamos manter o ato. Mesmo que a Justiça tenha tomado essa decisão, temos que continuar na rua. Não é só a Justiça, temos que caminhar juntos”, afirmou uma das integrantes do Passe Livre, Sofia Sales. “Essa decisão pode ser alterada. A Justiça e o governador estão dando várias surpresas na gente. É bom nos mantermos atentos.”

Com o lema “Nenhum centavo a mais, nenhum direito a menos”, o ato tem confirmados 5,4 mil participantes na página oficial da manifestação, no Facebook. De acordo com o movimento, tradicionalmente o primeiro ato costuma ter um número significativo de participantes. A integrante do movimento reiterou que o ato é um evento público e que o Passe Livre não tem pretensão de delimitar quem participa. “Seu caráter público tira de nós a responsabilidade de quem o compõe”, disse, ao ser questionada sobre a possível participação de black blocs no protesto.

“As únicas perspectivas dadas tanto pelo Alckmin quanto por seu fantoche Doria é o reajuste da tarifa e a priorização do lucro dos empresários”, diz Sofia. “Grande parte dos usuários de transporte coletivo precisa pegar mais de uma condução pra ir trabalhar. É perverso por parte do poder público com a própria população dizer que o ‘reajuste’ não é um aumento. Apesar do aumento proposto não atingir os bilhetes unitários, ele afetaria a cobrança das integrações e dos bilhetes temporários, dois serviços muito usados por quem precisa do transporte diariamente.”

Questionada sobre o fato de alguns grupos desconhecerem o ato marcado pelo Passe Livre e acusarem o movimento de partidarismo a favor de Doria e contra o ex-prefeito Fernando Haddad, Sofia afirmou que “trata-se de uma afirmação infundada e sobremaneira cega, pois é incapaz de olhar para a história da luta pelo direito à cidade no país”. Ela lembrou que o movimento existe há 12 anos e que, nesse período, organizou “diversas atividades e inclusive atos e jornadas de lutas contra os reajustes de tarifa, realizados por decisão política do prefeito”.

“Nossa pauta é o transporte público e independentemente da prefeitura iremos defendê-la”, acrescentou. “Doria significa um tamanho retrocesso com sua política empresarial, depende de nós barrar as decisões que retiram nossos direitos. Somente a luta pode construir um transporte verdadeiramente público na cidade.”

Sobre o fato de o Passe Livre ser responsabilizado por alguns grupos pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, sob argumentação que o movimento foi responsável por levar movimentos conservadores para a rua nas jornadas de junho em 2013, Sofia afirmou que os protestos naquele ano ocorreram em “um contexto muito específico”.

“A pauta do aumento da tarifa era o centro da questão que expunha a precarização e a exclusão da classe trabalhadora. Entretanto, se a resposta da direita ao junho de 2013 é o que estamos vendo acontecer hoje em todo o Brasil, nos cortes de direitos, na flexibilização das leis trabalhistas e na recém-aprovada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 55, um movimento que pauta o direito à cidade não tem responsabilidade nisso. Nós defendemos um transporte verdadeiramente público e é isso que buscamos na luta”, diz a representante do Passe Livre.