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'golpe não'

Artistas lançam clipe em defesa da democracia

Junto a nomes já consagrados, expoentes da nova cena musical brasileira, surgidos nas periferias das grandes cidades, pregam o diálogo e a paz. "Não tô num duelo, quero conversar"
por Redação da RBA publicado 15/04/2016 10h11, última modificação 16/04/2016 13h40
Junto a nomes já consagrados, expoentes da nova cena musical brasileira, surgidos nas periferias das grandes cidades, pregam o diálogo e a paz. "Não tô num duelo, quero conversar"
reprodução
golpe nao

'Eu não abro mão do que sonhamos juntos, de todas as cores que eu quero usar'

São Paulo – "Desperta que é golpe, ninguém vai impedir o meu jeito de amar". Por respeito ao resultado das urnas e à voz das ruas, artistas lançam clipe 'Golpe não', em que denunciam as ameaças à democracia e pedem por diálogo. Composta por Chico César, pelos rappers Coruja BC1, Rico Dalasam e Drik Barbosa e outros parceiros, a letra denuncia a manipulação midiática e as "velhas raposas" que, envolvidas em corrupção, querem tomar o poder e entregar o petróleo aos interesses estrangeiros.

Participam também expoentes da música popular brasileira como João Donato, Arrigo Barnabé e Edgar Scandurra. "Não, não. Golpe não/Quem não teve voto tem de respeitar/ Não, não. Golpe não / Nossa voz na rua vem para lutar", diz o refrão.

Colaboram ainda novos nomes da cena musical brasileira como Alice Caymmi, Ava Rocha, Lucas Santtana, Fioti, Max BO, Guisado, Ana Tréa, Pequeno Cidadão, Jovem Cerebral, Taciana Barros, Cacá Machado e a Liga do Funk.

O clipe é uma iniciativa do coletivo #OcupeaDemocracia que, durante toda a semana, promove eventos culturais, no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, com artistas, produtores, ativistas, coletivos artísticos e de intervenção urbana, defensores da pluralidade e da diversidade.

Golpe Não

(Chico César/ Coruja BC1 /Luis Felipe Gama/ Rico Dalasam /Vanessa/ Drik Barbosa / LG Lopes)

O sistema é bruto, o processo é lento
nosso sentimento, não vai recuar
amor, liberdade, verdade, alimento
não tinha e agora querem golpear

as velhas raposas querem o galinheiro
roubaram dinheiro mas fingem que não
querem que o petróleo seja do estrangeiro
pra esconder ligeiro sua corrupção

refrão:
não não golpe não
quem não teve voto tem de respeitar
não não golpe não
nossa voz na rua vem para lutar

tentam nos cegar nas telas e nas bancas
com papo de patrão não vi a gente lá
meu povo precisa ter a voz ativa
golpe é fogo na favela 
não vou apoiar

mulher no front aqui tem voz de monte
e menos que isso não vou acatar
avisa o gueto avisa o gueto
desperta que é golpe
ninguém vai impedir o meu jeito de amar

(refrão)

eu não abro mão do que sonhamos juntos
de todas as cores que eu quero usar
de todas as formas de ganhar amores
de todos amores que eu quero dar

se eu uso vermelho ou vou de amarelo
não tô num duelo, quero conversar
mano, mina, mona todo mundo é belo
nesse arco-iris todos têm lugar

(refrão)

golpe é ditadura, digo nunca mais
a vontade das urnas prevalecerá
pois quem distorce os fatos em telejornais
quer inflamar o ódio pro gueto sangrar

o machismo mata, a imprensa mente
mas a internet é nosso canal
somos a guerrilha na nova trincheira
a nação guerreira do bem contra o mal

(refrão)

a democracia é nossa bandeira
golpe é uma história que já sei de cor
todos nós queremos um país mais justo
todos nós queremos um país melhor

não queremos menos do que já tivemos 
nós queremos muito, muito, muito mais
toda liberdade, amor, paz, respeito
e ninguém por isso vai andar pra trás

(refrão duas vezes)