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Douglas Rodrigues

Calçadão do Centro Cultural da Juventude homenageará jovem morto por PM paulista

Inauguração vai contar com apresentação da peça Emquadros, sobre violência policial, e show do rapper DJ Hum
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 01/03/2016 17h14, última modificação 01/03/2016 17h26
Inauguração vai contar com apresentação da peça Emquadros, sobre violência policial, e show do rapper DJ Hum
CCJ/divulgação
ccj

Calçadão em frente ao Centro Cultural da Juventude ficava cercado por grades e agora é aberto à comunidade

São Paulo – Será inaugurado na próxima sexta-feira (4), às 18h, o Calçadão Douglas Rodrigues, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital paulista. O local vai homenagear o jovem que foi assassinado sem motivo pelo policial militar Luciano Pinheiro Bispo, em 27 de outubro de 2013, no Jardim Brasil. O nome dele foi escolhido em uma votação online, no ano passado. “Foi muito emocionante ver o nome dele escolhido. Além de estar no nosso coração, vai estar sempre ali naquela praça, pra esse caso nunca ser esquecido”, disse Rossana Martins de Souza Rodrigues, mãe de Douglas.

A inauguração do calçadão é parte do processo de maior abertura do CCJ para a comunidade. Em setembro de 2015 foram retiradas as grades que fechavam o espaço. Depois foi feita a votação para escolha do nome do local. O evento contará com a apresentação do espetáculo Emquadros: Diálogos para uma Juventude Viva, da Companhia Mudança de Cena e show do rapper do DJ Hum.

Douglas, que faria 20 anos no próximo dia 11, foi morto durante abordagem de policiais, que teriam sido acionados por uma queixa de perturbação do sossego. Funcionário em uma lanchonete, ele teria concluído o ensino médio naquele ano. “Meu filho era guerreiro. A única coisa que 'fez de errado' foi ter nascido na periferia, numa família pobre. Rezo todos os dias para o assassino ser punido. Se isso acontecer, outros vão pensar duas vezes antes de apertar um gatilho.”

Dois anos e quatro meses depois, ainda não há previsão para o julgamento de Bispo – que foi expulso da corporação. Nem da ação de reparação movida pela família contra o estado de São Paulo – em primeira instância foi concedida reparação à família, em outubro de 2014, mas o Estado recorreu. Segundo Rossana, desde outubro não há novas movimentações do processo que apura a responsabilidade do policial. “A gente fica agoniada querendo que isso se resolva. Mas a Justiça tem o tempo dela, o promotor pediu novos laudos. E a gente espera”, afirmou.

O disparo fatal foi efetuado ainda de dentro da viatura pelo PM Bispo. Enquanto era socorrido, o estudante questionou o agente sobre o motivo do tiro, dando origem ao movimento “Por que o senhor atirou em mim?”, de enfrentamento à violência policial. À época, o policial alegou que a arma disparou acidentalmente, e foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Porém, a investigação chegou a outro resultado. Segundo a promotora Cristiane Helena Leão Pariz, em despacho do dia 19 de dezembro de 2014, os laudos periciais contradizem a versão de que a arma disparou sozinha. Além disso, o relato do PM sobre estar somente com a mão para fora da viatura também foi contestado, pois o laudo necroscópico de Douglas indica que ele foi atingido no peito, de cima para baixo, o que não seria possível com a arma somente apoiada na porta do veículo.