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contra os golpes

Movimentos ampliam reação a ajuste e impeachment; oposição testará as ruas

Trabalhadores, ativistas, sindicalistas e estudantes rechaçam o ajuste fiscal, a reforma da Previdência, a entrega do pré-sal e o impeachment. Bandeira da oposição é afastar Dilma
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 25/02/2016 16h45, última modificação 25/02/2016 16h55
Trabalhadores, ativistas, sindicalistas e estudantes rechaçam o ajuste fiscal, a reforma da Previdência, a entrega do pré-sal e o impeachment. Bandeira da oposição é afastar Dilma
Danilo Ramos/RBA
frentes

Em dezembro do ano passado, mobilização das frentes de esquerda levou milhares de pessoas às ruas contra o golpe

São Paulo – Movimentos sociais, centrais sindicais e estudantes preparam-se para voltar às ruas no dia 31 de março para confrontar o que consideram ser duas tentativas de golpe contra o povo brasileiro: a proposta de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e as medidas para enfrentar a crise econômica. “Estamos lutando contra dois golpes. Não há acusação de crime contra Dilma. Ao mesmo tempo, o governo está implementando propostas que não são de seu projeto político, como o ajuste fiscal e a reforma da Previdência”, disse Raimundo Bonfim, militante da Central de Movimentos Populares (CMP).

Segundo Bonfim, os movimentos defendem a retomada de uma política econômica que aprofunde as conquistas sociais, a distribuição de renda, a criação de empregos e a inclusão social. “Estamos sofrendo com o desemprego crescente e cortes em políticas públicas. Precisamos de investimento no programa Minha Casa, Minha Vida, na produção rural familiar, na mobilidade urbana. Reformar a Previdência, aumentando a idade mínima da aposentadoria, e ampliar a terceirização é jogar contra o povo”, afirmou.

O ato do 31, convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, é parte de um calendário que inclui programação de atividades de 8 de março a 1º de maio.

- 8 de março: mobilização do dia mundial das mulheres
- 15 a 17 de março: mobilização nacional dos professores e educadores do ensino público em todo pais, com paralisação nacional nesses dias.
- 31 de Março: mobilização nacional em Brasília e no maior número possível de cidades.
- 7 de Abril: dia nacional de luta pela saúde, com os movimentos populares ocupando todas as secretarias municipais de saúde, em defesa do SUS e da PEC que restabelece 10% do orçamento para a saúde pública.
- Semana de 17 de abril: atos pelo dia internacional de luta camponesa e exigindo justiça, pelo massacre de Eldorado dos Carajás (1996).
- 28 de Abril: dia nacional da memória dos trabalhadores que morreram explorados no trabalho.
- 29 de Abril: Grande mobilização dos professores do Paraná, relembrando a jornada de lutas do ano passado e a repressão sofrida pelo governo Richa.
- 28 a 30 de Abril: tribunal internacional de julgamento dos crimes da Vale. Local a ser confirmado em Minas Gerais.
- 1º Maio:  concentrações em todo pais pelo Dia do Trabalhador.

Os movimentos pretendem realizar mobilizações em várias cidades do país e uma grande marcha em Brasília, cobrando também a redução da taxa básica de juros, a taxação de grandes fortunas e o rechaço a projetos de lei que atacam direitos trabalhistas e sociais, como o Projeto de Lei do Senado (PLS) 555, que impõe regras de mercado às empresas estatais, e o PLS 131, que revê o modelo de partilha do pré-sal.

As mobilizações também vão cobrar o afastamento do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspeito de receber US$ 5 milhões em propinas no esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato e principal articulador das medidas combatidas pelos movimentos. “Vamos às ruas contra as intenções golpistas de quem quer impor um impeachment ilegítimo como atalho para chegar ao poder. Eduardo Cunha abriu o processo de impeachment de Dilma numa tentativa de chantagem a céu aberto”, afirmam as organizações em seu manifesto.

Reabilitação do impeachment

Antes das manifestações das frentes de esquerda, movimentos favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma preparam uma volta às ruas no dia 13 de março. Em São Paulo, o ato será na Avenida Paulista, como os anteriores. Após passar por uma queda de participação entre o primeiro e o último ato realizados no ano passado – em 15 de março e 13 de dezembro, respectivamente –, os grupos esperam retomar o clima anti-governo inflamados pelo noticiário negativo contra Lula, Dilma e o PT nas últimas semanas.

Depois de perder força nas ruas e no Congresso, no ano passado, a tese do afastamento da presidenta Dilma volta ser abraçada também por partidos de oposição, desarmados diante da fragilização do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, denunciado pela Procuradoria-Geral da República.

Ontem (23), lideranças do PSDB (Aécio Neves), DEM (José Agripino), SD (Paulo Pereira da Silva), PPS (Roberto Freire) e PV (José Luiz Pena) divulgaram nota de apoio às manifestações convocadas para o dia 13 e convocando sua "militância" para ir às ruas.