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Justiça

Chacina de Unaí completa 12 anos com mandantes ainda em liberdade

Parentes das vítimas, representantes da sociedade civil, parlamentares e integrantes do governo cobraram celeridade na resolução do caso
por Redação RBA publicado 29/01/2016 12:04, última modificação 29/01/2016 12:19
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Parentes das vítimas, representantes da sociedade civil, parlamentares e integrantes do governo cobraram celeridade na resolução do caso
reprodução/TVT
unai

Condenação deve servir de exemplo aos que insistem em utilizar mão-de-obra escrava, no Brasil

São Paulo – Um dos casos mais emblemáticos de trabalho escravo, a Chacina de Unaí completou 12 anos ontem (28), com uma manifestação ocorrida, em Brasília, com a participação de representantes da sociedade civil organizada, parlamentares e integrantes do governo, para da Justiça rapidez no encerramento do caso.

Em 2004, foram assassinados, durante uma ação de fiscalização, os auditores do trabalho Nelson José da Silva, João Batista Lage e Erastótenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Aílton Pereira de Oliveira, no município de Unaí, noroeste de Minas Gerais.

Em novembro, os autores do crime foram julgados e considerados culpados. Os assassinos Alan Rocha Rios e Erinaldo de Vasconcelo Silva já estavam presos, mas os mandantes e intermediários, Antério e Norberto Mânica, Hugo Pimenta e José de Castro, estão em liberdade e aguardam julgamento de recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília.

"Receberam uma sentença satisfatória, todos eles, condenados a quase 100 anos de cadeia. Agora nós estamos aqui pedindo aos que compõem esse tribunal que sejam rápidos, porque a gente tem sede de que essa justiça seja feita", apela Marines Lima, viúva de Erastóstenes, presente à mobilização ocorrida em frente ao TRF1.

O Ministério do Trabalho e Previdência Social também cobra agilidade nas condenações, para que sirvam de exemplo aos que insistem em utilizar mão-de-obra escrava, no Brasil.

"Há um compromisso do governo de realizar, em curto prazo, um concurso para incorporar novos auditores e servidores ao MPT. Nós sabemos que, apesar desse compromisso, ainda tenho muito o que fazer, enquanto país, estado e governo, na luta contra a escravidão", afirma Manoel Messias, secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência Social, em entrevista ao repórter Uélson Kalinovski, para o Seu Jornal, da TVT.

A chamada "lista suja", com os nomes das pessoas e empresas envolvidas neste tipo de exploração não pode ser divulgada por causa de uma liminar na Justiça. O governo mantém as ações de fiscalização. Desde a criação dos grupos móveis, em 1995, já foram feitas mais de 1.900 operações pelo país, com 49 mil trabalhadores resgatados.


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