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Todos os bairros de São Paulo terão coleta seletiva até final do semestre

“Hoje estamos assinando o primeiro contrato de coleta seletiva remunerada em São Paulo. É histórico”, diz representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis
por Redação RBA publicado 21/01/2016 18:57, última modificação 21/01/2016 19:23
“Hoje estamos assinando o primeiro contrato de coleta seletiva remunerada em São Paulo. É histórico”, diz representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis
Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Reciláveis
Reciclagem

A expectativa é que cerca de 1.500 catadores sejam incluídos na ação

São Paulo – O serviço de coleta seletiva chegará a todos os distritos de São Paulo ainda no primeiro semestre, segundo a prefeitura da capital. Para estender o serviço, a administração realizará parcerias com cooperativas de catadores. O contrato de remuneração foi assinado ontem (20) pelo prefeito Fernando Haddad.

A expectativa é que cerca de 1.500 catadores sejam incluídos na ação. A prefeitura investirá R$ 4,1 milhões por ano na remuneração de mão de obra das cooperativas. Mais R$ 10,9 milhões serão investidos em caminhões, equipamentos de segurança (EPI), uniformes e galpões.

“Hoje estamos assinando o primeiro contrato de coleta seletiva remunerada na cidade de São Paulo. É um momento histórico para a gente, principalmente sabendo que há um empenho da prefeitura na questão humana, na inclusão dos catadores”, disse Nanci Darcolete, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

As cooperativas atuam em duas centrais mecanizadas de triagem, inauguradas em 2014, com capacidade de processamento de 500 toneladas por dia. A renda proporcionada pela venda da produção das centrais é revertida para o Fundo Municipal de Coleta Seletiva, Logística Reversa e Inclusão de Catadores.

“É um projeto de sustentabilidade socioambiental. Um aglomerado urbano, das dimensões de São Paulo, com 12 milhões de moradores, conseguiu chegar em 2016 e estruturar uma coleta seletiva porta a porta. Isso não é pouca coisa. É uma conquista histórica do movimento de catadores do Brasil”, afirmou Haddad.

A ampliação da coleta seletiva será realizada em três fases. Na primeira etapa, 16 cooperativas serão responsáveis por iniciar o serviço em 16 distritos: Aricanduva, Artur Alvim, Cidade Líder, Guaianases, Iguatemi, Itaim Paulista, Jardim Helena, São Mateus, São Miguel, Vila Jacuí e Parque do Carmo, na zona leste, Pirituba e Tremembé, na zona norte, Raposo Tavares, Rio Pequeno e Vila Sônia, na zona oeste. A previsão é que os trabalhos se iniciem nesses locais em 22 de fevereiro.

Na segunda etapa, com previsão de início em 14 de março, serão atendidos mais 14 distritos: Grajaú, Cidade Dutra e Socorro, na zona sul, Cangaíba, Penha, Vila Curuçá, Vila Matilde, Vila Formosa e São Rafael, na zona leste, São Domingos, Vila Guilherme, Vila Medeiros, Vila Maria e Jaçanã, na zona norte. A última etapa, que será concluída em 18 de abril, levará o serviço para mais dez distritos: Butantã e Morumbi, na zona oeste, Jaraguá, Casa Verde, Limão e Cachoeirinha, na zona norte, José Bonifácio, Itaquera, Lajeado e Carrão, na zona leste.

Os catadores recolherão porta a porta os chamados resíduos secos, que incluem papel, vidro, latas e plástico. Os resíduos sólidos devem ser separados dos úmidos e os recicláveis com restos de alimentos devem ser enxugados para não contaminar outros materiais.

São Paulo produz diariamente cerca de 20 mil toneladas de resíduos, dos quais aproximadamente 12,5 mil toneladas são da coleta domiciliar. Pouco mais de um terço desse total é composto por resíduos secos, que poderiam ser reciclados, porém a cidade recicla apenas 2,5%, por meio de duas centrais mecanizadas e 21 cooperativas já conveniadas com a prefeitura.

Reciclagem nas feiras

Um projeto piloto da prefeitura está transformando restos das feiras livres, em geral legumes verduras e frutas, em adubo orgânico para ser usado na agricultura e nos parques da cidade de São Paulo. A iniciativa foi implantada, em setembro de 2015, em 26 feira próximas ao bairro da Lapa, na zona oeste da cidade. A perspectiva é estender o projeto para as 900 feiras livres da cidade até o final do ano.

Os feirantes precisam colaborar: são eles que separam os produtos rejeitados pelos consumidores e os armazenam em sacos biodegradáveis. Depois disso, a prefeitura encaminha os materiais para não para os aterros sanitários, mas sim para a central de compostagem, onde começarão a ser decompostos. O processo leva 120 dias.

“A central recebe esses produtos, em média 5 toneladas por dia. Um terço disso tem que ser de podas e jardinagem e dois terços de furtas legumes e verduras”, conta o representante da Empresa Municipal de Limpeza Urbana Ney Teixeira. “Os micro-organismos vão começar a atuar para degradar esses produtos e transformar em um composto para a agricultura parques, jardins e cemitérios parques da cidade de são Paulo.”

Assista a esta reportagem da TVT.