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perigo real

Oficial PM afirma que revogação do desarmamento oficializará o 'bang-bang'

Segundo tenente-coronel da Polícia Militar paulista, com flexibilização do estatuto do desarmamento, "população andará armada se defendendo de si mesma e será o vale-tudo de todos contra todos"
por Redação RBA publicado 30/10/2015 12h48, última modificação 30/10/2015 13h45
Segundo tenente-coronel da Polícia Militar paulista, com flexibilização do estatuto do desarmamento, "população andará armada se defendendo de si mesma e será o vale-tudo de todos contra todos"
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Comissão Especial da Câmara aprovou o projeto de lei que altera Estatuto do Desarmamento

São Paulo – “Se o Legislativo aprovar esse estatuto estamos decretando oficialmente o fim do Estado, já que é ele o responsável pelo bem comum. Mas o Estado virou as costas para a sociedade e a entregou para a própria sorte”, afirma o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Adilson Paes de Souza, em entrevista à repórter Marilu Cabañas da Rádio Brasil Atual, ontem (29), sobre a aprovação do texto-base que altera o Estatuto do Desarmamento, na Comissão Especial da Câmara.

“Com a revogação do Estatuto do Desarmamento estamos oficializando o bang-bang. A população andará armada se defendendo de si mesma, será o vale-tudo de todos contra todos. É o reconhecimento da falência do Estado, que foi incapaz de tratar a segurança do cidadão”, conclui.

Para o tenente, além do perigo representado pelo armamento de civis, há outras formas de garantir a segurança da população. “As pessoas estão com o emocional abalado, e acham que com uma arma de fogo terão poder a mais para enfrentar uma situação grave. Não digo que as pessoas devem assistir tudo de maneira passiva, mas existem outras maneiras de reação, como exigir do Estado mais segurança pública.”

Na terça-feira (27) uma comissão especial da Câmara aprovou o projeto de lei que altera Estatuto do Desarmamento. O texto revoga o Estatuto anterior, reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas e autoriza o porte para pessoas que estão respondendo a inquérito policial ou processo criminal e para parlamentares.

A posição progressista do tenente, segundo ele, é motivada pelo tempo que dedicou ao estudo para “conduzir algumas inquietações”. Ele conta que nunca sofreu represália dentro da corporação, e à medida que conquistava postos de comando buscava estimular o raciocínio crítico aos colegas, algo que nunca foi visto como indisciplina.

“Eu buscava estimular isso nos meus oficiais e garanto que não houve quebra de disciplina. Sempre disse que violência gera violência, e se torna uma espiral que não se sabe quando vai terminar. Antes de uma questão legal, é uma questão sociológica.”

Para Adilson, medidas como a redução da maioridade penal, agravamento de pena e a revogação do Estatuto do Desarmamento vêm coroar a onda de conservadorismo. “Nós estamos assistindo um grande retrocesso no Brasil. Temos um Congresso conservador, falas conservadoras estouram na mídia, propostas conservadoras aprovadas nas casas legislativas, condutas conservadoras e não transparentes nos poderes Executivos. Isso não é um ambiente democrático.”

O oficial conclui que não adianta armar a sociedade se o Estado não cumpre o papel de diminuir a violência. “Já ouvi que tenho que ‘levar bandido para casa’, mas não é essa a questão, marginal tem que ser tratado com rigor, mas nos termos da lei. A prisão tem que ser um estabelecimento corretivo e de ressocialização, porque estamos falando de seres humanos, não de animais, já que temos humanos tratados como animais. O Estado desumaniza as pessoas, devolve-as para a sociedade e depois quer que elas tenham uma conduta humana.”

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