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Ecos de 1964

Governo do DF desiste de dar área para memorial, e Instituto João Goulart protesta

Para filho do ex-presidente, Jango foi cassado pela segunda vez. Movimentos fazem protesto na manhã desta quarta-feira (26), em Brasília
por Redação RBA publicado 26/08/2015 09h23, última modificação 26/08/2015 09h36
Para filho do ex-presidente, Jango foi cassado pela segunda vez. Movimentos fazem protesto na manhã desta quarta-feira (26), em Brasília
Divulgação
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O chamado Memorial da Liberdade e Democracia, que homenageia Jango, é um projeto de Oscar Niemeyer

São Paulo – O Instituto João Goulart, o PDT, sindicatos e movimentos sociais realizam um ato de protesto na manhã de hoje (26) no Eixo Monumental, em Brasília, contra a desistência do governo do Distrito Federal de ceder um terreno de 10 mil metros quadrados para construção de um memorial. Para o instituto que dá nome ao ex-presidente, deposto pelo golpe de 1964, trata-se de uma "segunda cassação" de Jango. A entidade chama o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) de "covarde".

"A sua fraqueza e falta de coragem nos mostra que, pautado pelo Ministério Público que irresponsavelmente se coloca ao lado de interesses individuais diante do interesse coletivo, nega a história do socialismo e se esconde atrás das atitudes próprias dos covardes: atira a pedra e esconde a mão", diz texto publicado na última sexta-feira (21). O instituto lembra ainda que o processo teve tramitação de oito anos, passando por quatro administrações, até a outorga para cessão de uso do terreno.

A decisão saiu na edição de quarta-feira passada (19) do Diário Oficial do Distrito Federal, com a declaração, pela Secretaria de Estado da Cultura, de nulidade de convênio firmado em 2013 com o Instituto Presidente João Goulart. O governo se baseia em uma recomendação do Ministério Público contrária à cessão, apontando problemas como falta de audiência pública sobre o assunto e ausência de um projeto de lei para modificar a destinação da área, além da necessidade de um estudo técnico sobre a compatibilidade do projeto arquitetônico do memorial com as regras de tombamento de Brasília.

O jornalista Luiz Cláudio Cunha vê outras motivações para a decisão. "O governador de Brasília espana a responsabilidade com argumentos técnicos e difusos do Ministério Público, mas existem pressões militares que ele não tem coragem de revelar e que mostram a persistência da paranoia anticomunista", escreveu, em artigo. Em maio, uma sessão do Senado em homenagem a Jango também teve críticas ao MP, ainda antes da decisão do governo. O chamado Memorial da Liberdade e Democracia, que homenageia Jango, é um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer.