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São Paulo

Ciclistas da periferia pedem expansão da malha de ciclovias

Alvo de polêmica e resistência na região central e em áreas nobres da capital, as ciclovias fazem falta na periferia, onde a bicicleta é alternativa ao transporte coletivo para o deslocamento casa-trabalho
por Redação RBA publicado 30/07/2015 11h05, última modificação 30/07/2015 11h40
Alvo de polêmica e resistência na região central e em áreas nobres da capital, as ciclovias fazem falta na periferia, onde a bicicleta é alternativa ao transporte coletivo para o deslocamento casa-trabalho
reprodução/TVT
Casal

Carlos e Roseli pedalam a maior parte do trajeto até o trabalho em meio ao trânsito

São Paulo – Em São Paulo, quando o prefeito Fernando Haddad começou a criar espaços para a circulação exclusiva de bicicletas, as ciclovias foram alvo de críticas por parte de quem acha que os automóveis perderam lugar, principalmente nos bairros mais nobres da capital. Já nas periferias, onde a bicicleta é um meio de transporte importante, a população pede mais ciclovias. Por lá tem muita gente que já trocou o ônibus, e até o carro, pela bicicleta.

A diarista Roseli Campos, que há cinco meses escolheu a bicicleta, conta os problemas que enfrentava com o transporte coletivo: "Às vezes saia do serviço às 17h e chegava em casa às 20h30, por causa do trânsito". Ela e o marido, Carlos, pedalam cerca de 36 quilômetros por dia, para ir e voltar do trabalho.

O casal observa ganhos em saúde e bem-estar depois da adoção das bicicletas. "Me sinto muito mais disposta", diz Roseli. Carlos, que é motorista, chegou a ser afastado do trabalho por problemas psicológicos decorrentes do estresse do trânsito, chegando a tomar mais de 18 comprimidos de calmante por dia. "Depois que aderi à bike, consegui evitar esses comprimidos, até ter alta do tratamento."

Carlos e Roseli pedalam a maior parte do trajeto até o trabalho em meio ao trânsito. Se arriscam entre carros e pedestres e reclamam da falta de respeito dos motoristas. "Eles não respeitam os ciclistas de maneira nenhuma." Para eles, a demarcação de espaços exclusivos para as bicicletas garantiria maior segurança.

A região norte de São Paulo é onde se concentra o maior número de acidentes com ciclistas, devido à baixa malha cicloviária. Na avenida Inajar de Souza, por exemplo, uma das principais da zona norte, circulam por dia mais de 1.400 ciclistas.

"O pessoal da periferia hoje, inevitavelmente, precisa se deslocar até o centro, então são muitos quilômetros", destaca Roberson Miguel, do coletivo Ciclo ZN, que pede mais ciclovias. "Para São Paulo passar a ser um pouco mais interligada por bicicletas, no mínimo mil quilômetros seria o ideal, para começar."

São Paulo tem hoje 330 quilômetros de ciclovias. O prefeito Fernando Haddad prevê concluir cerca de 500 quilômetros até o fim do mandato.

Confira a reportagem de Caroline Campos para o Seu Jornal, da TVT: