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truculência

Cinco dias após operação na cracolândia, GCM ainda bloqueia rua e revista pedestres

De acordo com GCM, ação visa a coibir a entrada de drogas e impedir que os barracos sejam reconstruídos. Na tarde de hoje, havia grande fluxo de dependentes químicos na região
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 04/05/2015 19h24, última modificação 04/05/2015 19h44
De acordo com GCM, ação visa a coibir a entrada de drogas e impedir que os barracos sejam reconstruídos. Na tarde de hoje, havia grande fluxo de dependentes químicos na região
Adriano Vizoni/Folhapress
Cracolândia

Ao todo, 270 policiais trabalham na operação, que permanecerá na cracolândia por tempo indeterminado

São Paulo – Cinco dias após a operação que retirou um conjunto de barracos usados pelos dependentes químicos da cracolândia, na Praça Julio Prestes, região central de São Paulo, conhecido como “favelinha”, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) continua bloqueando vias de acesso da região e revistando bolsas, sacolas e mochilas de pedestres que tentam cruzar as vias. Questionada pela RBA, a Guarda informou que a ação visa a coibir a entrada de drogas e impedir que os barracos sejam reconstruídos.

Os policiais estão posicionados nas ruas Helvetia e Dino Bueno, sendo que a última está fechada com uma faixa zebrada que impede também a entrada de carros. A cada duas horas, em média, os serviços de limpeza urbana da prefeitura percorrem o local, lavando as ruas. Somente viaturas da CGM e caminhões de limpeza da prefeitura podem circular.

Mesmo com a retirada da “favelinha”, na tarde de hoje (4) ainda havia grande concentração de dependentes químicos na região, sobretudo na rua Dino Bueno, onde a venda e o consumo de crack continuam, de forma explícita. Uma parte dos oficiais da GCM se concentra no local onde estavam os barracos, para impedir que eles sejam reconstruídos. Ao todo, 270 policiais trabalham na operação, que permanecerá na região por tempo indeterminado.

A ação de retirada dos barracos, realizada na última quarta-feira (29), foi considerada bastante truculenta. Houve disparo de bombas de gás lacrimogêneo, segundo moradores, e dois homens foram baleados por um policial militar à paisana que, segundo informações oficiais, teria atirado para baixo após ser agredido. Os estilhaços acabaram atingindo as duas vítimas, uma no pescoço e outra na perna.

"Durante a ação, dois policiais militares que estavam no local passaram a ser agredidos por diversos moradores de rua, tendo um deles sido agredido com uma barra de ferro na cabeça. Para desfazer o grupo atacante e cessar as agressões, o segundo policial efetuou um disparo para o chão, que acabou ricocheteando. Os estilhaços atingiram duas pessoas de maneira superficial", afirmou a Secretaria Estadual da Segurança Pública, em nota.

O órgão reiterou que não foi previamente avisado sobre a antecipação da operação, que seria realizada na quinta-feira (30), em uma parceria entre a GCM e a Polícia Militar. De acordo com nota da prefeitura de São Paulo, a Polícia Militar não participou para evitar “ações violentas ou repressivas”.

“O que fizeram aqui foi desumano. Jogaram bombas em pessoas que estão doentes. Mas com isso só pegam sardinhas, não o tubarão”, criticou um dos moradores da Cracolândia, que se identificou como “Advogado”.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, elogiou a ação na Cracolândia, na quinta-feira, pelo Twitter. "Redução de dano: Parabéns à GCM por desmontar as barracas que serviam ao tráfico e permitir mais 126 dependentes acolhidos no Braços Abertos". Em um evento no mesmo dia, ele disse que “a ação foi um sucesso”. “Está tudo de acordo com o planejado: as barracas desmontadas, os traficantes afastados. Há cerca de 20, 30 traficantes que ocupavam aquelas barracas. Pedras, bandejas de crack, tijolos de crack que eram fracionados naquelas barracas. Hoje as barracas não existem mais”, disse.

De acordo com a prefeitura, no dia seguinte à ação o fluxo de dependentes químicos na praça Júlio Prestes havia sido reduzido para cerca de 50 pessoas. No mesmo dia, a prefeitura incluiu novos 88 beneficiários ao programa De Braços Abertos e acolheu outras 103 pessoas, que aceitaram o encaminhamento para albergues ou núcleos de assistência. Na sexta, foram realizados novos 61 acolhimentos.

A prefeitura informou, em nota, que o próximo passo será uma busca ativa por novas adesões ao De Braços Abertos, programa que oferece trabalho, emprego e acompanhamento médico para os dependentes químicos que queiram deixar a drogas. Aqueles que desejarem internação em clínicas de reabilitação são encaminhados ao projeto complementar do Estado, chamado o Recomeço.

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