Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2015 / 01 / Usuários reclamam do transporte metropolitano paulista, cujas tarifas subiram até 16,6%

EMTU

Usuários reclamam do transporte metropolitano paulista, cujas tarifas subiram até 16,6%

MPL programa ato para domingo (11), na Praia Grande, na Baixada Santista, contra o aumento dos preços. Objetivo é tarifa zero
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 07/01/2015 14h05
MPL programa ato para domingo (11), na Praia Grande, na Baixada Santista, contra o aumento dos preços. Objetivo é tarifa zero
Edson Lopes Jr./A2 FOTOGRAFIA
EMTU

Sistema de ônibus metropolitano é considerado ruim pelos usuários ouvidos pela RBA, que reclamaram do reajuste

São Paulo – Em vigor desde ontem (6), as tarifas de ônibus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que realiza o transporte entre cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba e Litoral Norte e Baixada Santista, foram reajustadas em até 16,6%. Como as tarifas são variáveis de acordo com a distância percorrida pelos veículos, é preciso consultar a tabela de tarifas no site da empresa para saber o novo valor. Já o custo da integração com o sistema de trens e metrô, para a região metropolitana de São Paulo, subiu de R$ 1,65 para R$ 1,95 (18,2%).

Os usuários da EMTU, empresa gerida pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), consideraram um absurdo o valor do reajuste, que, segundo eles, não é compatível com o serviço prestado. Entre Guarulhos e São Paulo, por exemplo, a tarifa da linha 580 – Cidade Soberana-Metrô Armênia, da empresa Internorte, aumentou de R$ 4,95 para 5,70 (15,2%).

Se o passageiro for utilizar o metrô, o valor sobe para R$ 7,65. Só na ida. Mas a integração com desconto só é garantida para quem utiliza o Bilhete de Ônibus Metropolitano (BOM), que não concede integração entre linhas de ônibus.

“Os ônibus são velhos, barulhentos, com bancos duros. É uma vergonha pagar esse valor para andar nessas condições”, reclamou Ana Maria Amaral, que mora em Guarulhos e trabalha no centro de São Paulo. Ela teme que o empregador reconsidere a contratação dela, em virtude do custo de transporte.

Já a tarifa da linha 012, que liga o bairro de Cipó, em Embu-Guaçu, ao Terminal Grajaú, na zona sul de São Paulo, vai subir de R$ 3,10 para R$ 3,60 (16,2%). Com a integração com a linha 9-Esmeralda, que parte do mesmo terminal, vai a R$ 5,55.

Apesar de as linhas da EMTU terem suas tarifas definidas pela quilometragem, há uma inversão entre os dois exemplos citados. A linha de Guarulhos a São Paulo tem 18 quilômetros de extensão, mas custa mais caro do que a vinda de Embu-Guaçu a São Paulo e que tem 24 quilômetros de extensão.

Mesmo assim, a reclamação é a mesma. “Os ônibus aqui parecem batedeiras de bolo, só que lentas”, afirmou o eletricista Juscelino Gonçalves, morador de Embu-Guaçu. Ele também reclama do serviço no fim de semana. “Aos domingos chegamos a ficar duas horas esperando um ônibus no Terminal Grajaú para voltar para casa”, denunciou.

Na Baixada Santista, onde as tarifas da EMTU também foram reajustadas, o Movimento Passe Livre (MPL) está preparando um ato na Praia Grande, para o próximo domingo (11). Embora a manifestação esteja convocada contra o reajuste da tarifa municipal, que passou de R$ 2,90 para R$ 3,30 (13,79%), o movimento pretende lutar também contra o reajuste no transporte intermunicipal, que ficou em média 12% mais caro.

"Nosso objetivo é zerar a tarifa ou voltar à de 2013", disse o militante do MPL Heliton Nottvanny, em entrevista ao jornal A Tribuna, de Santos.

O sistema da EMTU também deve ter tarifa zero para estudantes de baixa renda, no mesmo molde do anunciado na capital paulista pelo prefeito Fernando Haddad (PT), mas o projeto ainda depende de aprovação na Assembleia Legislativa de São Paulo.