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Haddad desativa abrigo de imigrantes e inaugura centro permanente de acolhimento

Equipamento provisório enfrentou crise de superlotação e falta de infraestrutura. Ao todo, 110 pessoas foram encaminhadas para novo centro de acolhida
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 29/08/2014 18:03
Equipamento provisório enfrentou crise de superlotação e falta de infraestrutura. Ao todo, 110 pessoas foram encaminhadas para novo centro de acolhida
Avener Prado/Folhapress
Imigrantes

Imigrantes, a maioria haitianos, chegando ao abrigo provisório da prefeitura, em maio

São Paulo – A prefeitura de São Paulo desativou hoje (29) o abrigo provisório montado há quatro meses para imigrantes, na rua do Glicério, na região central, para acolher o grande contingente de haitianos que chegou à cidade no começo do ano, a maioria vinda do Acre. O equipamento enfrentou no último mês uma crise de superlotação, falta de gestão e de infraestrutura adequada.

Uma equipe da prefeitura realizou uma triagem e encaminhou os 110 imigrantes mais vulneráveis para o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (Crai), inaugurado hoje. Os demais, pelo menos 100 pessoas, foram encaminhados para outros abrigos públicos da cidade, em especial para o centro de acolhida Arsenal da Esperança.

Nos quatro meses em que funcionou, pelo menos 2.300 pessoas passaram pelo abrigo provisório, na maioria haitianos, ganeses, senegalenses e congoleses. “Já tinha algumas pessoas trabalhando, que poderiam deixar o abrigo. Fizemos essa triagem priorizando os mais vulneráveis. O espaço era autogestionado e a equipe da prefeitura lá era pequena, por isso não era possível fazer esse acompanhamento de forma mais refinada”, afirma o coordenador de Políticas para Migrantes da Secretaria de Direitos Humanos da prefeitura, Paulo Illes.

O abrigo provisório tinha capacidade máxima para 150 pessoas, mas chegou a receber 300 em julho, como denunciou o jornal O Estado de São Paulo. O local apresentava problemas de limpeza e de entrega de alimentos, que resultaram em uma “situação bastante deplorável”, segundo Paulo Illes. “Quem devia cuidar da limpeza eram os imigrantes. Nas últimas semanas a situação se agravou porque eles sabiam que o local seria desativado e deixaram de fazer a limpeza em protesto”, diz.

Pela manhã, poucos imigrantes do abrigo ainda permaneciam próximo ao local. Alguns imigrantes muçulmanos, de países da África, aceitaram abrigo oferecido por uma mesquita da região central. Um grupo de cinco ganeses também preferiu o abrigo de uma igreja evangélica do ABC paulista. “Passamos a noite em um albergue e quando amanheceu tivemos que sair com todas as nossas coisas. Como vamos procurar trabalho com as coisas na rua?”, criticou o motorista Bismark Attuah.

“Tenho muitos contatos e vou ajudá-los a conseguir emprego. Temos também uma voluntária para dar aulas de português. Infelizmente nossa igreja é pequena e só conseguiremos acolher cinco pessoas”, conta o pastor Francisco Marana, que ofereceu abrigo para os ganeses. A Secretaria de Direitos Humanos informou, pela assessoria de imprensa, que a prefeitura encaminha os imigrantes para abrigos, mas não pode impedi-los de aceitar outra proposta de hospedagem se preferirem.

Quando estiver pronto, o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes oferecerá, além do abrigo, assessoria jurídica, psicológica e de acesso a direitos. O prazo para contratação de profissionais foi prorrogado, ainda sem divulgação do cronograma. A ficha de inscrição e o edital completo estão disponível na internet.

“Optamos por adiantar a abertura do serviço de acolhimento, que era mais urgente, e de encaminhamento para o trabalho”, conta Illes. O equipamento está localizado na rua Japurá, 232, na região da Bela Vista.

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