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Refugiados

Brasil não vai fechar fronteiras para restringir entrada de haitianos

Governo federal apresenta plano de ação para melhorar condições de ingresso e estadia de refugiados até sexta-feira que vem (31); entre dezembro e janeiro, 2.522 imigrantes ilegais chegaram ao país
por Diego Sartorato, da RBA publicado 22/01/2014 17h24
Governo federal apresenta plano de ação para melhorar condições de ingresso e estadia de refugiados até sexta-feira que vem (31); entre dezembro e janeiro, 2.522 imigrantes ilegais chegaram ao país
Marcello Casal Jr/ Abr
Haitianos

Haitianos dormem no chão do abrigo para refugiados de Brasileia, no Acre

São Paulo – Uma equipe interministerial formada pelas pastas de Defesa, Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Justiça, Trabalho e o Itamaraty irão apresentar ao governo do Acre uma proposta de cooperação para melhorar as condições de entrada e estadia dos refugiados haitianos que estão chegando em número cada vez maior em Brasileia, município onde há um abrigo destinado aos imigrantes que chegam pela fronteira com o Peru. No começo do mês, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, chegou a falar em fechar as divisas para impedir que a superlotação causasse uma crise humanitária no abrigo, que é feito para receber 300 pessoas, mas está com população de 1,1 mil haitianos e sofre com falta de suprimentos.

“Ficou decidido que não haverá fechamento de fronteira, em respeito à tradição acolhedora do Brasil, mas isso significa que as pessoas continuam entrando. Então, contamos com o projeto que será apresentado pelo governo federal até a próxima sexta-feira (31)”, afirma Mourão. Os registros do abrigo de Brasileia dão conta de que 1.465 haitianos entraram no país por aquela fronteira em dezembro; outros 1.057 haitianos chegaram até dia 22 de janeiro.

De acordo com Damião Borges, coordenador do abrigo em Brasileia, o aumento do fluxo se deu por conta do aumento de extradições na República Dominicana. “De cada 10 haitianos que chegam aqui, quatro já falam espanhol. Eles estavam trabalhando na República Dominicana, mas o desemprego lá está fazendo com que os haitianos sejam forçados a sair do país. Eles não querem voltar para o Haiti, então seguem viagem e chegam até o Brasil”, explica.

Enquanto a ajuda federal não chega, o governo estadual tenta melhorar as condições do abrigo. Nesta semana, 400 novos colchões foram levados para Brasileia, e uma equipe especial da Secretaria de Saúde montou posto no abrigo para prover atendimento preventivo aos imigrantes. Além disso, um batalhão de policiais fardados e desarmados está reforçando a segurança no local, que passará a contar com atrações culturais a partir desta semana. “Estão todos muito estressados com a situação, por isso estamos investindo em exibições de filmes, peças de teatro e campeonatos de esportes para que eles possam descansar e se divertir”, explica o secretário de Direitos Humanos, que ressalta que ainda não houve nenhum caso de violência envolvendo os imigrantes.

Segundo Mourão, a população local também demonstra sinais de exaustão com a presença dos novos habitantes, que estão superlotando os serviços públicos da cidade. “A maior parte deles só fica aqui até saírem os documentos, depois partem para o Sul e o Sudeste, por conta própria ou com a intermediação do governo, que os ajuda a encontrar emprego. A Polícia Federal está trabalhando e consegue emitir documentos para 70 pessoas por dia, então, logo a situação deve estar mais tranquila”, explica Damião.

A expectativa do coordenador do abrigo é de que nos próximos 10 dias a população do abrigo em Brasileia caia para pouco mais de 600 pessoas. O abrigo teria capacidade para manter até 500 pessoas sem riscos para a saúde ou a segurança dos refugiados.