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Cada vez mais presentes, haitianos em São Paulo enfrentam condições précarias

O diretor da ONG de acolhida a imigrantes Missão Paz, Paolo Parise, reforça que a integração e absorção dos haitianos na sociedade brasileira ainda é rudimentar
por Redação RBA publicado 08/11/2013 16h43, última modificação 08/11/2013 16h53
O diretor da ONG de acolhida a imigrantes Missão Paz, Paolo Parise, reforça que a integração e absorção dos haitianos na sociedade brasileira ainda é rudimentar
Marcello Casal Jr/ABr
haitianos

Visto para entrada de haitianos no Brasil foi liberado em março de 2013 para conter imigração ilegal

São Paulo – A imigração de haitianos para São Paulo tem disparado. Em 2013 já chegaram 1.631 deles ao Centro de Estudos Migratórios da ONG Missão Paz, sendo que em 2011 foram 35. O diretor da entidade, Paolo Parise, explicou que a cidade atrai principalmente homens e trabalhadores para a construção civil.

A Organização das Nações Unidas (ONU) mantém uma missão de paz no Haiti desde 2004. A ação é fortemente contestada devido à presença militar e aos poucos resultados efetivos na reconstrução do país.

O fluxo migratório de haitianos para o Brasil sofreu alterações bruscas desde março deste ano porque o governo federal decidiu suspender o limite anual de vistos – antes restrito a 1.200 autorizações. Com isso, o consulado brasileiro, localizado na capital haitiana, Porto Príncipe, passou a exigir apenas passaporte, atestado de bons antecedentes e a própria taxa do visto, de US$ 200. O objetivo brasileiro é combater a imigração clandestina, cuja porta de entrada são a Amazônia e os estados do Acre e Pará.

Parise disse que, apesar da intenção governamental de melhorar as condições precárias em que vivem os haitianos em seu país, o Brasil não oferece políticas públicas que atendam a eles. “O problema da moradia é porque não envolve só uma política cartorial de entrega de vistos, mas uma política de integração”, disse em entrevista hoje (8) à Rádio Brasil Atual.

Ele relatou que muitos haitianos continuam vivendo em situações de pobreza do Brasil, como em cortiços, favelas e pensões. Recentemente, cerca de 90 pessoas foram expulsas de uma ocupação na Mooca, na zona leste. Os trabalhadores teriam sido enganados sobre as condições do local. “Eles chegaram a pagar 300 reais, cada um, para um suposto proprietário, sem saber que se tratava de uma ocupação.”

Segundo o Ministério da Justiça, os 1,5 milhão de estrangeiros residentes no Brasil representam apenas 0,3% da população. Apesar disso, os dados da Organização Internacional do Trabalho confirmam que houve aumento em volume na migração internacional.

Para estudar o acolhimento dos imigrantes no Brasil, a ONG Missão Paz está realizando hoje (8) no Ipiranga, zona sul paulistana, o segundo Seminário Vozes e Olhares Cruzados, em que trabalhadores provenientes de Cuba, Bolívia, Peru, Haiti, Congo, Paraguai e China se juntam para trocar experiências sobre a integração em diversos ambientes brasileiros, como a escola, a vizinhança e o trabalho.