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novo despejo

Integrantes de ocupação em São Paulo fazem protesto por diálogo com prefeitura

Após quarto despejo, moradores da ocupação Jardim da União querem ser recebidos por secretário de Habitação de Fernando Haddad para debater solução definitiva
por Malú Damázio e Rodrigo Gomes, da RBA publicado 10/09/2013 18h04, última modificação 10/09/2013 18h08
Após quarto despejo, moradores da ocupação Jardim da União querem ser recebidos por secretário de Habitação de Fernando Haddad para debater solução definitiva
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Ocupações têm surgido na região do Grajaú contra os altos preços dos aluguéis e por moradia

São Paulo – Cerca de 200 moradores da ocupação Jardim da União, no Itajaí, zona sul da capital paulista, farão um protesto amanhã (11), por volta de 12h, em frente à Secretaria Municipal da Habitação (Sehab), no centro da cidade. Os manifestantes pretendem ser recebidos pelo secretário José Floriano de Azevedo Marques Neto e viabilizar um canal de diálogo sobre moradia na região. O movimento é organizado também pelos integrantes das ocupações Jardim da Luta e Recanto da Vitória, todas da região do Grajaú.

Ontem (9), pela manhã, a comunidade do Itajaí foi despejada do terreno ocupado pela quarta vez. A área fica ao lado de um terreno da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), onde foi feita terraplanagem com o objetivo de construir unidades habitacionais. No entanto, segundo as famílias, essa obra também está parada. Os moradores ainda afirmam que o local acumula entulho e acreditam que isso foi um dos fatores responsáveis por um surto de dengue na região.

A Guarda Civil Metropolitana e os funcionários da Subprefeitura da Capela do Socorro fizeram a retirada dos trabalhadores e a derrubada das habitações. Os moradores tinham voltado a ocupar o terreno, com aproximadamente 300 lotes, que havia sido esvaziado no final de agosto.

Em protesto, os trabalhadores ocuparam a entrada da Subprefeitura da Capela do Socorro e se acorrentaram em volta do prédio. Os 150 moradores exigem um canal de diálogo para discutir o problema da habitação no local. Segundo a integrante da Rede Extremo Sul Carolina Catini, as pessoas que viviam na região tentam agendar há quase um mês, sem sucesso, uma reunião com o secretário-adjunto da Sehab, Marco Antônio Biasi.

A manifestação durou até o início da noite de ontem. A moradora da ocupação Sandra Oliveira conta que “a subprefeita Cleide Pandolfi travou o portão da entrada do local. Os outros companheiros que estavam chegando não conseguiram entrar e nem levar alimentos para os que estavam lá dentro".

Segundo os moradores, a subprefeita se comprometeu a marcar uma reunião com a Sehab. Porém, na manhã de hoje, o retorno foi de um encontro para daqui a 20 dias. “Não dá para marcarmos essa reunião e ficarmos sendo despejados sempre”, reforça Oliveira.

A comunidade está reocupando o terreno desde a noite de ontem. “Nós não queremos morar de graça. Nós queremos, pelo menos, a possibilidade de negociar o terreno e pagar por parte dele. Já fizemos, inclusive, um plano de habitação e de organização do local”, argumenta Sandra Oliveira.

Ela reforça que são famílias que vivem no local e precisam dele para se abrigar. “Não queremos que a prefeitura fique nos discriminando e dizendo que somos oportunistas. Nós somos pais de família, crianças, idosos. A maioria não tem condições de financiar uma casa própria, porque ganha menos de R$ 1.000, por isso queremos negociar o terreno.”

Os grupos de ocupações do Grajaú já realizaram várias manifestações exigindo que seja instituído um projeto habitacional na região que assegure a permanência das famílias nas áreas ocupadas. Dentre os protestos, os moradores já bloquearam a saída dos ônibus da Viação Cidade Dutra – que operam quase todas as linhas da região – e o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo.