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Para combater o racismo é preciso desfazer privilégios, diz professor

Com implicações sociais, culturais e institucionais, o preconceito deve ser discutido em todas as instâncias
por Redação, da RBA publicado 28/07/2013 15h55
Com implicações sociais, culturais e institucionais, o preconceito deve ser discutido em todas as instâncias

São Paulo – O Brasil é o país da diversidade, que abriga povos de diferentes culturas e origens, mas, apesar disso, e de todos os avanços que a sociedade brasileira tem visto nos últimos tempos, o preconceito racial ainda é muito evidente.

Dados do Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), com base em informações do Ministério da Saúde, apontam o aumento no número de homicídios entre jovens negros e a diminuição de mortes entre os jovens brancos. De 2001 a 2011 o número de morte de jovens negros é duas vezes e meia maior do que a de jovens brancos, sendo mais de 120 mil jovens negros, para aproximadamente 50 mil jovens brancos. Em 2011, os jovens negros foram vítimas de 76,9% de mortes violentas, em 2002 esse percentual era de 63%.

Para o sociólogo e professor de História da cultura afro-brasileira e indígena, Deivison Inkoci, para resolver o problema é necessário reconhecer as desigualdades existentes no país. Em entrevista à TVT ele afirma que a grande dificuldade está em reconhecer privilégios. “Desfazer esses privilégios é denunciar o racismo e dizer que o preconceito existe. Para a juventude negra os estigmas ainda estão presentes. O jovem negro é suspeito até que ele prove o contrário e isso tem implicações sociais, culturais e institucionais no nosso cotidiano. O mesmo estigma que me move a fechar o vidro do carro quando um negro se aproxima é o mesmo sentimento que move um policial a achar que todo negro é bandido. Precisamos debater mais isso”.

Para chamar a atenção da sociedade para a criminalização da juventude negra, os movimentos sociais Wapi Brasil e Soweto Ong, criaram a campanha “Eu pareço suspeito?”. O debate começou no ano passado, inspirado na polêmica sobre da morte de Trayvon Martin, na Florida, Estados Unidos. O jovem americano de 17 anos foi baleado por um vigilante branco que o considerou suspeito por caminhar vestindo um capuz pelo bairro. Esse mês, o vigilante foi absolvido das acusações de matar o jovem negro e a decisão acendeu o debate racial. No Brasil, Ulisses Lucas, negro, 34 anos, almoxarife de uma transportadora, foi morto por um policial numa casa lotérica em Diadema, grande São Paulo, após ser confundido com um assaltante.

“O modo de se vestir e a linguagem que o jovem usa hoje viraram símbolos para as pessoas julgarem se ele é suspeito de algum crime ou não. Precisamo promover um diálogo para acabar com esse estereótipo”, afirma a participante da campanha, Liciane Barros.

A campanha “Eu pareço suspeito?” está sendo levada para as escolas, com o objetivo de combater o preconceito contra a juventude negra e de periferia e conscientizar a população sobre o racismo institucional. “A escola tem um papel fundamental, tanto na desconstrução de estereótipos como na promoção de relações igualitárias e respeito à diversidade. É um espaço fundamental de educação que necessita ser explorado”, afirma o sociólogo Deivison Inkoci para quem é necessário discutir a educação contra o preconceito social em todas as instâncias.

“O dialogo é importante para mostrar que somos negros, moramos na periferia e isso não é errado. Não é um erro ser pobre” afirma o participante da campanha, Thiago Consp.

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