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Desigualdade

Para ministra, boatos sobre fim do Bolsa Família são agora 'assunto de polícia'

Em programa de rádio, Tereza Campello, chefe da pasta de Desenvolvimento Social, evitou procurar responsáveis por divulgar informações falsas a respeito do benefício
por Sarah Ferbnandes, RBA publicado 21/05/2013 12h42, última modificação 21/05/2013 17h38
Em programa de rádio, Tereza Campello, chefe da pasta de Desenvolvimento Social, evitou procurar responsáveis por divulgar informações falsas a respeito do benefício
Tereza Campello

Ministra afirmou que com Bolsa Família crianças pobres têm abandonem menos a escola

São Paulo – A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, evitou falar sobre possíveis responsáveis pelos boatos espalhados no último sábado (17) a respeito do fim do Bolsa Família, que levaram milhares de pessoas às agências da Caixa, principalmente no Nordeste.

“Hoje é um assunto de polícia. O que cada um de nós acha não tem mais importância. Nós estamos investigando principalmente para evitar que essa situação se repita”, afirmou hoje (21), durante o programa Bom Dia Ministro.

Questionada por jornalistas, mais de uma vez, sobre quem teria interesse em espalhar o boato ela afirmou que “não sabe explicar".

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"É um programa que auxilia pessoas pobres, vulneráveis, que contam com esse dinheiro para garantir a alimentação de suas crianças. Criou-se pânico para as mães, para a população pobre. Por que alguém faria uma cosia dessa?”, questionou. Ela lembrou que a Polícia Federal está investigando o caso.

Campello afirmou que o Ministério estuda criar um sistema para envio de SMS para os beneficiários que possuem telefone celular. “Estamos avaliando a possibilidade de ter esse serviço para termos uma comunicação mais rápida e precisa”, disse Tereza. “É importante que as pessoas, antes de entrarem em desespero, como aconteceu no fim de semana, liguem para o Ministério pelo nosso canal gratuito ou acessem nosso site.”

“A notícia se espalhou muito pelas redes sociais, então as pessoas tinham internet. Quem quiser nos ajudar pode entra no seu Facebook alertando que o calendário do Bolsa Família está mantido e que o programa continua firme e forte”, disse a ministra. Ela afirmou também que o ministério prevê começar a monitorar movimentações bancários do programa nos finais de semana “para que isso não venha a se repetir.”

Segundo a ministra, a Caixa chegou a liberar o pagamento fora da data para as pessoas que foram às agências no fim de semana, para “garantir sua integridade e segurança”. “Isso não esta mais acontecendo porque agora temos condição de dar informação qualificada. Ontem a Caixa abriu duas horas antes para apoiar a população nesse momento de intranquilidade.”

Os beneficiários que sacaram o benefício no fim de semana deverão sacá-lo novamente em junho, no dia especificado. Os demais podem ir até as agências da Caixa ainda esse mês, na data correta para seu saque. O pagamento acontece nos últimos dez dias do mês, sendo que cada família recebe em um dia específico, que varia segundo seu número de inscrição no programa.

“Nós estamos fazendo um trabalho muito importante que é de buscar as famílias pobres, que têm direito e que ainda não entraram no Bolsa Família. Nosso esforço é o contrário. É de ampliar. Então eu não acredito que esse tipo de boato possa atingir o programa”, disse.

A ministra afirmou que 70% dos adultos beneficiários trabalham, mas ainda assim não conseguem renda suficiente para sustentarem suas famílias, em geral por falta de qualificação profissional. Segundo ela, indicadores do programa mostram que o benefício é gasto, em sua maioria, em alimento, material escolar, roupa e calçado.

A prioridade, segundo ela, é ampliar o acesso dos beneficiários a programas de capacitação profissional para que eles aumentem sua renda por meio do trabalho. Até agora, 450 mil foram capacitados.

Educação

A ministra afirmou que o Bolsa Família tem feito com que as crianças pobres não abandonem mais a escola e que tenham um rendimento semelhante aos estudantes que não recebem o benefício. “No Norte e no Nordeste os alunos beneficiários tiveram um desempenho melhor, pela primeira vez”, disse.

Enquanto a taxa de abandono do Ensino Fundamental no país alcançou 3,2% em 2011, segundo o Censo Escolar, ela ficou em 2,9% entre os estudantes do Bolsa Família. No ensino médio, 7,1% dos alunos beneficiários abandonaram a escola, contra 10,8% da média nacional.

A taxa de aprovação dos beneficiários também é maior nessa etapa do ensino: enquanto ela esteve em 75,2% na média nacional, alcançou 79,9% entre os que recebem Bolsa Família. No ensino fundamental a taxa de aprovação dos beneficiários foi menor que a geral (83,9% contra 86,3%), exceto na região Norte (onde 84,4% dos beneficiários foram aprovados contra 83,9% da media regional) e Nordeste (com 82% contra 81,2%).