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Crimes contra indígenas podem ser investigados pela Comissão da Verdade

Para Vannuchi, decisão é importante para a construção de um Brasil mais justo
por Redação da RBA publicado 12/09/2012 13h06, última modificação 12/09/2012 13h34
Para Vannuchi, decisão é importante para a construção de um Brasil mais justo

São Paulo – A Comissão da Verdade, instalada em maio deste ano, trabalha na apuração dos crimes e violações de direitos humanos cometidos durante a ditadura militar, que vigorou no país entre 1964 e 1985. Para Paulo Vannuchi, comentarista político da Rádio Brasil Atual, este trabalho é importante para a garantia de um Brasil melhor, onde haja menos violência e dominação.

A novidade é que o Ministério Público Federal está investigando crimes cometidos contra indígenas durante o período. Foi decidido que a câmara do MP que trata especificamente de índios, quilombolas e comunidades tradicionais levará o tema à Comissão Da Verdade.

Vannuchi ressalta que além dos guerrilheiros mortos na resistência à ditadura, existem outras vítimas do regime, como os indígenas brasileiros e as lideranças de trabalhadores rurais. Ele lembra que o número oficial de mortos, em torno de 400, não contempla tais vítimas.

O caso do massacre dos waimiri-atroari, durante a construção, entre 1972 e 1975, da estrada BR 174, que liga Manaus à Boa Vista, capital de Roraima, à Venezuela, é lembrado pelo comentarista como fato representativo dos abusos sofridos pelos indígenas no período. Há depoimentos documentados que provam que cerca de 2000 índios foram mortos por terem resistido à construção.

Há também registro de massacres nas aldeias dos Pataxós, na Bahia, através da disseminação do vírus da varíola.

Ele explica que questões como estas levaram à formações de CPIs em 1961 e 1962, mas o trabalho foi interrompido com o golpe, em 1964.

A iniciativa de investigação de crimes como estes, segundo Vannuchi, são importantes para o Brasil conhecer melhor sua história, o que é fundamental para que os mesmos atos de violência não sejam repetidos. “Espero que a Comissão da Verdade acolha a apuração e que no relatório final não sejam contabilizados apenas 400, mas os mais de mil mortos do período, contando os indígenas e as lideranças rurais”, diz.

Ouça aqui o comentário de Paulo Vannuchi.