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Operários demitidos por greve durante a ditadura serão anistiados na Bahia

por Redação da RBA publicado 28/02/2012 13h47, última modificação 28/02/2012 13h55

São Paulo – A Comissão Nacional de Anistia julga amanhã (29) o processo de 100 operários do polo industrial de Camaçari, na Bahia, demitidos por participar de greves durante a ditadura (1964-85). 

Em 1985, último ano do regime, a greve geral, que paralisou durante 23 dias o polo produtor de derivados de petróleo, resultou na demissão, por justa causa, de 171 trabalhadores. Os demitidos tentam provar que perderam os empregos exclusivamente por perseguição política e que, incluídos em uma lista do Serviço Nacional de Informações (SNI), jamais puderam voltar a atuar na área, mesmo com julgamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na Bahia pela legalidade do movimento.

O evento, que ocorre no teatro da Cidade do Saber, deve contar com a participação do governador Jaques Wagner e do ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos Nilmário Miranda, que foi um dos relatores dos processos. 

O deputado Emiliano José (PT-BA), que integra a Comissão de Mortos e Desaparecidos, manifestou em nota que as caravanas de anistia, somadas à sanção da lei que cria a Comissão da Verdade, para apurar as violações aos direitos humanos cometidas pelo regime, representam importantes avanços. “A presidenta Dilma afirmou que cada país possui a sua história e as suas características, enfrentando correlações de forças diferentes. Portanto, nem sempre as coisas são tão rápidas, como a gente gostaria. Mas agora, nós teremos a chance de ter à mesa e de modo transparente o que foi este período de terror e de sombras que nós vivemos de 21 anos", destacou.

A Caravana de Anistia foi criada em 2008 com a função de tornar itinerante e próximo da população o trabalho da Comissão de Anistia, que recentemente completou dez anos. Vinculado ao Ministério da Justiça, o colegiado já julgou cerca de 60 mil processos, concedendo a reparação econômica a um terço dos pedidos. Além da questão monetária, as ações são acompanhadas de um pedido de desculpas do Estado brasileiro pelos erros cometidos no passado.