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Vereador de São Paulo vê "afronta" em demolição de prédios na Luz

Em meio à Operação Sufoco, na região batizada de "cracolândia", prefeitura iniciou a derrubada de construções em área de interesse social onde deveria haver moradia popular
por leticiacruz publicado 18/01/2012 17h21, última modificação 18/01/2012 18h12
Em meio à Operação Sufoco, na região batizada de "cracolândia", prefeitura iniciou a derrubada de construções em área de interesse social onde deveria haver moradia popular

Segundo Ítalo Cardoso, os parlamentares souberam da medida pela mídia (Foto: Juvenal Pereira/ ASCOM- Câmara Municipal de SP)

São Paulo – O vereador Ítalo Cardoso (PT)  considerou uma "afronta" a demolição de seis casas nesta quarta-feira (18) na rua Helvétia, na região da Luz, centro de São Paulo. A ação foi coordenada pela prefeitura sob alegação de coibir o tráfico na "cracolândia" e faz parte da Operação Sufoco, iniciada há 15 dias, com apoio do governo estadual. Alguns usuários de crack que moram nas ruas da região utilizavam os prédios abandonados também como moradia.

Segundo Cardoso, os parlamentares souberam da medida pela mídia. "Há um problema de comunicação aí. Esse tipo de surpresa quebra o ânimo de quem está se mobilizando pelos direitos dos dependentes", disse.

José Police Neto (PSD), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, afirmou que o perímetro em que se encontram os prédios mereceria um empreendimento de moradia popular, já que pertence a uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis) no subdistrito da Sé. "Cada um dos atores envolvidos poderia ajudar a encontrar uma solução para isso", sugeriu.

O Ministério Público do Estado de São Paulo também não foi informado das demolições. O promotor de Justiça, Maurício Ribeiro, disse ter sido surpreendido pelo "emparedamento" dos prédios. "Nós não vemos nenhuma sincronia entre saúde e tratamento na cracolândia, mas a gente vê muita sincronia com a especulação imobiliária no centro de São Paulo", disse. A prefeitura justifica que os imóveis não apresentam mais funcionalidade para moradia e oferecem "riscos" por estarem em mau estado de conservação. Defensores públicos estão na região para orientar a população.

Durante reunião de trabalho na Câmara, que dá continuidade ao debate sobre a repressão da Polícia Militar realizado na última semana, os vereadores avaliaram a situação na região. "Não são somente discussões, como são decisões tomadas e alguns resultados", avaliou o vereador Jamil Murad (PCdoB), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Casa.

Para o vereador comunista, a visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na manhã desta quarta a uma unidade de tratamento na Sé, também no centro, representa "avanço", pelo esforço do governo federal em unir ações com as esferas municipal e estadual.

Assim como na decisão de demolir prédios na Luz, o início da operação policial na área não havia sido avisado à Câmara nem a outros órgãos, como Ministério Público e Defensoria Pública do Estado de São Paulo. A surpresa despertou críticas à administração municipal de Gilberto Kassab (PSD) e à estadual, de Geraldo Alckmin (PSDB).

A pressa na medida despertou suspeitas de que o objetivo era reduzir a margem de ação do plano para o enfrentamento do crack traçado pelo governo federal e previsto para março e abril, com investimentos de R$ 6,4 milhões.