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Secretária de Alckmin reclama das críticas e vê "sucesso" em ação na "cracolândia"

Titular da Justiça e Defesa da Cidadania defendeu ação da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana
por leticiacruz publicado 26/01/2012 13h52, última modificação 26/01/2012 16h56
Titular da Justiça e Defesa da Cidadania defendeu ação da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana

A visão da secretária choca-se com a opinião de movimentos sociais, que alegam que a ação tem finalidade de higienização social (Foto: Gerardo Lazzari)

São Paulo – O tipo de abordagem policial na repressão ao tráfico na região da Luz, taxada de "cracolândia" por concentrar usuários de crack – foi classificada como uma "ação de sucesso" pela secretária de Justiça e Defesa da Cidadania do estado de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda. Iniciada no dia 3, a "Operação Sufoco" foi duramente criticada por defensores de direitos humanos e por pessoas que trabalham com recuperação de dependentes químicos.

A afirmação da secretária foi feita durante debate nesta quinta-feira (26), promovido pela seção estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Sem representantes de movimentos sociais, compuseram a mesa apenas autoridades do Judiciário e das polícias Militar e Civil.

"Se vocês me perguntarem se é uma ação de sucesso, eu vou dizer que é", disse Eloisa. Segundo ela, apesar de ainda haver movimento de tráfico de drogas no local, os objetivos almejados pela ação integrada entre governo e prefeitura municipal foram alcançados. Um deles seria "criar segurança" aos moradores da região. A visão choca-se com a opinião de movimentos sociais, que alegam que a ação tem finalidade de "higienização" social para favorecer a especulação imobiliária.

Em uma crítica direta à cobertura da imprensa, a secretária expôs que o início da operação não foi "de supetão", e sim consequência de uma série de reuniões entre as secretarias estaduais e municipais da Segurança Pública, Saúde, Justiça e Cultura. "Nunca tivemos dúvida de que seria necessária uma ação pesada da Polícia Militar na área. Preferimos enfrentar o problema daquela forma e acabar com o tráfico do que agir de forma branda e não conseguir fazer nada", afirmou.

Notícias publicadas no início do ano, depois de deflagrada a operação, davam conta de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), não teriam sido informados sobre a ação. Mesmo o comando da PM chegou a sugerir condição semelhante.

O comandante da Região Central da PM do Estado de São Paulo, coronel Pedro Borges, corroborou a opinião da secretária. Ele defendeu a ação policial, vista como truculenta contra dependentes químicos que habitam ruas da região. "Temos preocupação com o direito daquelas pessoas, e estamos resgatando-as", afirmou. Especialista em controle de distúrbios civis, o coronel admitiu ter dado a ordem para que se utilizassem armas não-letais (ou menos letais), como balas de borracha e gás lacrimogêneo.

"Ali tinha um grupo de mais de 500 pessoas. Não havia outra forma de controlar aquilo. Pensar que conversando daria certo é ingenuidade", disse o coronel, em resposta aos críticos. Ele revelou ter tomado conhecimento de casos de ferimentos, como uma adolescente atingida na boca por um projetil de borracha, por meio da mídia.

Cuidado com o usuário

Para o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo Antônio Carlos Malheiros, a operação na cracolândia é importante, porém necessita um olhar voltado ao usuário da droga. "Gosto da minha cidade bonita, iluminada, arquitetônicamente preparada, mas seria bom também prezar pela integridade do povo", sugeriu.

Também coordenador da Infância e Juventude do TJ, ele criticou a falta de moradias e de amparo para saúde dos dependentes. Nenhuma estrutura de tratamento de saúde foi oferecida aos dependentes. A ação policial acaba por dispersar os usuários por áreas próximas, o que pode dificultar uma intervenção de saúde pública.

Em artigo no jornal  O Estado de S. Paulo da quarta-feira (25), o prefeito Gilberto Kassab garantiu que "não faltam tratamento nem refeições" às pessoas, e reforçou a construção do Complexo Prates, no Bom Retiro, que deve abrigar 1,2 mil usuários. O texto foi uma resposta, no dia do aniversário da cidade, às críticas de que faltam leitos e tratamento. Segundo informações da PM, eram 126 os internados até então.