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Para prefeita de Brasileia, portas para haitianos não podem ser fechadas

por Redação da RBA publicado 11/01/2012 17h39, última modificação 11/01/2012 20h45

Haitianos que chegaram ao Acre pela fronteira com o Peru, em busca de novas oportunidades (Foto: Gleilson Miranda/Secom /Agencia Acre)

São Paulo – Em entrevista concedida à Rádio ONU, a prefeita de Brasileia (AC), a 210 quilômetros de Rio Branco, Leila Galvão (PT), falou sobre a situação da cidade, que atualmente abriga 1,1 mil dos aproximadamente 2 mil migrantes haitianos que vieram ao Brasil em busca de novas oportunidades. Segundo ela, a grande preocupação é regularizar a documentação do pessoal e fornecer alimentação de qualidade enquanto elas continuam impedidas de trabalhar no país.

"Fizemos um mutirão com a Polícia Federal para disponibilizar recursos humanos e ajudar na coleta de informações para providenciar a documentação necessária para as pessoas seguirem suas vidas no país. Também temos o governo do estado como parceiro no fornecimento de alimentos aos haitianos", disse, na segunda-feira (9).

Quase dois anos após o terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no Haiti, muitos haitianos decidiram mudar de vida e recomeçar no Brasil. Os primeiros migrantes teriam chegado ao país um ano após o terremoto, à procura de novas oportunidades. Muitos deles contaram que receberam promessas de emprego através de “agências de viagens”, o que segundo a mídia brasileira, seriam traficantes de seres humanos. Os haitianos que chegaram ao país estão se concentrando em algumas cidades como Tabatinga, no Amazonas, e Brasiléia, no Acre.

Ela opina que o fluxo migratório já deixou de ser produzido por aliciadores de mão de obra que lucram com o tráfico de pessoas, e que agora encontra estímulo entre os próprios migrantes para a vinda de mais conterrâneos. "No início a gente soube que os primeiros que chegaram vieram de forma muito precária, mas agora eles mesmos estão ligando para os amigos e parentes e dizendo que aqui têm mais perspectivas que no Haiti." 

Leila disse esperar providências rápidas do governo para que os haitianos possam se candidatar a empregos. "Eles visualizam oportunidades na construção civil, em obras como hidrelétricas", diz. A preocupação é evitar eventuais tensões sociais entre os moradores da cidade e os migrantes, que poderiam ser vistos como "concorrentes" aos postos de trabalho. "A gente percebe que as pessoas que vieram são muito pacíficas. A grande maioria delas não bebe, não fuma e não degradam os lugares onde estão instaladas, mas a ociosidade prolongada pode levar a mudanças nesse comportamento."

Questionada se os esforços para prestar atendimento médico, regularizar documentos e encaminhar os migrantes para ofertas de trabalho podem aumentar a intensidade do fluxo migratório do Haiti para o Brasil, a prefeita afirmou que "não se pode fechar as portas". Ela defende que as pessoas apostam em viajar para o país como uma saída para problemas e esperança de novas oportunidades.

"Temos de prestar assistência a elas. E o Brasil tem um acordo de ajuda humanitária com o Haiti. O que é preciso é regularizar a entrada de migrantes pela fronteira, para evitar que venha mais gente do que o que podemos atender", opina.

A entrevista da prefeita aconteceu no dia em que o Brasil decidiu limitar o número de vistos de entrada para haitianos que quiserem viajar ao país. O governo peruano, uma das rotas para os deslocamentos, tomou medida semelhante.

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