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Em campanha contra assédio sexual, metroviários criticam quadro do "Zorra Total"

Personagens Valéria e Janete sofrem abuso no transporte coletivo. Para sindicato, piada de mau gosto é situação recorrente em trens e ônibus de grandes cidades
por Redação da RBA publicado 05/10/2011 13h47, última modificação 05/10/2011 14h08
Personagens Valéria e Janete sofrem abuso no transporte coletivo. Para sindicato, piada de mau gosto é situação recorrente em trens e ônibus de grandes cidades

Valéria e Janete protagonizam esquetes que fazem piada em mulheres "bolinadas" por outros passageiros (Foto: Reprodução)

São Paulo - Em meio a campanha contra o assédio sexual cometido às mulheres nos transportes públicos, os metroviários de São Paulo protocolam, nesta quarta-feira (5), às 16h, uma carta à TV Globo com críticas ao programa Zorra Total. O humorístico mantém um quadro em que se faz piada com o abuso em ônibus e trens de grandes cidades contra passageiras.

"O que é piada no Zorra Total acontece frequentemente com milhares de mulheres usuárias de transporte público", critica a nota publicada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários de São Paulo. A carta foi formulada pela Secretaria de Assuntos da Mulher da entidade. A TV Globo sustenta que o quadro busca entreter e não incitar comportamentos.

No quadro, a personagem Valéria, uma transexual vivida pelo ator Rodrigo Sant'Anna, e Janete, interpretada por Thalita Carauta, passam por situações variadas no transporte público urbano. Na esquete, de modo semelhante ao que ocorre em outros quadros do programa, repete-se uma sequência em que Janete sofre algum tipo de abuso por outro passageiro e afirma que algum passageiro a está "bolinando". Valéria, então, comenta a situação, sugerindo que a amiga "aproveite" e repete o bordão: "Tô bandida".

Nas últimas semanas, outras polêmicas envolveram órgãos do governo federal e peças publicitárias. Avisados por ativistas, em meados de setembro, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) demandou que a Caixa Econômica Federal suspendesse uma campanha em que o escritor Machado de Assis era interpretado por um ator branco, reforçando preconceitos e esteriótipos. Na semana passada, foi a vez da Secretaria de Política para Mulheres interpelar o Conselho de Autorregulação Publicitária (Conar) sobre um anúncio de lingerie.

Em relação a programas de TV, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados mantém um Ranking da Baixaria, formulado a partir de denúncias de telespectadores, embora não implique sanções às emissoras responsáveis. Em nenhum dos seis anos em que a classificação das queixas foi publicada, o programa Zorra Total figurou entre as cinco principais atrações de TV mais citadas. Denúncias podem ser feitas pelo site.