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Coordenador da campanha virtual de Humala enfatiza a democratização da comunicação pelas redes sociais

Para Elvis Mori, Brasil e Peru tiveram muitos pontos em comum em suas campanhas presidenciais, como os ataques na imprensa e a força das campanhas nas redes sociais
por virginiatoledo publicado 18/06/2011 23h17, última modificação 19/06/2011 12h20
Para Elvis Mori, Brasil e Peru tiveram muitos pontos em comum em suas campanhas presidenciais, como os ataques na imprensa e a força das campanhas nas redes sociais

"A vitória de Humala se deve à mobilização de comunicação massiva pelas redes sociais" afirma Elvis Mori (Foto: Augusto Coelho)

Brasília – Passada a campanha presidencial no Peru e com vitória do esquerdista Ollanta Humala, o uso da internet evidenciou o poder da democratização do acesso à informação também naquele país. Elvis Mori, que coordenou a equipe da campanha de Humala nas redes sociais, revela que, das estratégias de comunicação em ambiente virtual que usou, algumas foram baseadas em experiências brasileiras.

Mori veio ao Brasil especialmente para o 2º Encontro de Blogueiros Progressistas – no sábado e domingo (18 e 19) – e participou do debate sobre o papel das redes sociais em campanhas eleitorais, dando como exemplo a campanha "Gana Peru". Em entrevista à Rede Brasil Atual, ele relatou o desenvolvimento da campanha e a vitória do candidato Ollanta Humala

O comunicador de Humala afirmou que assim como ocorreu no Brasil, o candidato peruano à Presidência também sofreu com ataques preconceituosos dos oposicionistas. Ele contou que durante a campanha, as hashtags – que designam o assunto que está sendo discutido – do Twitter relacionavam o nome do candidato a motivações racistas e xenofóbicas.

Perseguição que Humala também sofria dos grandes e mais tradicionais meios de comunicação peruanos, de forma similar ao que ocorreu durante a candidatura Dilma Rousseff em 2010. Ele conta que a atuação nas redes sociais não foi apenas na exposição da dualidade dos candidatos, nem simples contraposição entre o "mal" e o "bem".

A decisão foi traçar estratégias mais minuciosas para as redes sociais, ou seja, tratavam de praticamente todos os temas particulares que atingiam diferentes segmentos do eleitorado peruano. " A ideia principal do trabalho intenso em rede social foi basicamente baseado no Brasil."

"Muitos diziam que as redes sociais eram apenas para difundir temas, mas, na prática, elas foram o grande diferencial da campanha e por elas conseguimos atingir setores que estavam mais contidos. Ninguém chegava até eles, mas mesmo assim esperavam algo diferente", relata Mori.

Ele afirma que o trabalho intenso nas redes sociais fez com que a resistência à candidatura de Ollanta Humala fosse derrubada. "Acreditamos que a democracia é sinônimo de interação. Nós envolvemos as redes sociais como parte da democratização da comunicação. Por isso a gente envolvia as pessoas em tudo que fazíamos", lembra o coordenador.

Modelo a seguir

Mori acredita que as novas e virtuais campanhas eleitorais se tornarão  uma realidade vivida por todos os países, principalmente, os latino americanos. Para ele, as redes estão fazendo um papel que permite articular o que estava disperso e colocar os pontos todos em uma mesma posição, integrando-os.

"Isso que está começando é um movimento latino-americano que encontra ecos das mais diferentes intensidades com os nossos governos (do Brasil e do Perú)", destaca.