Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2011 / 04 / Virgílio Gomes, o comandante Jonas, recebe título de cidadão paulistano

Virgílio Gomes, o comandante Jonas, recebe título de cidadão paulistano

por João Peres, da RBA publicado 20/04/2011 16h39, última modificação 21/04/2011 11h50

São Paulo – Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, receberá da Câmara dos Vereadores de São Paulo o título de cidadão paulistano. A condecoração, proposta pelo vereador Francisco Chagas (PT), foi aprovada na terça-feira (19) e terá caráter in memorian, já que Virgílio foi assassinado pelos agentes da ditadura em 1969.

Desde então, é dado como desaparecido. Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Jonas foi o comandante político do sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick. Dias após o fim da operação, quando retornava do litoral paulista e pretendia mudar-se com a família para Cuba, foi preso e assassinado. 

A história de Virgílio permaneceu um mistério durante mais de trinta anos, apesar dos esforços da família em localizar o corpo. Foi na última década que se encontrou uma ficha do Instituto Médico Legal (IML) que indicava que o corpo do militante do Sindicato dos Químicos havia sido sepultado no Cemitério de Vila Formosa, o maior da América Latina, localizado na zona leste paulistana.

No fim do ano passado, atendendo aos pedidos da família, do sindicato e do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, o Ministério Público Federal conseguiu acordo para que se desse início aos trabalhos de escavação no cemitério. A operação, envolvendo a Polícia Federal, o Instituto Médico Legal e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, encerrou-se no último mês com a retirada de várias ossadas que agora passam por análise de laboratório. Devido à falta de registros nos arquivos e aos longos anos de exposição do material à umidade do solo, no entanto, os peritos admitem que a identificação dos restos mortais correspondentes a Jonas tem pouca possibilidade de êxito.

De toda maneira, o Ministério Público Federal obteve da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, o compromisso de que seja erguido naquele cemitério um memorial às vítimas da repressão. A intenção é que os parentes tenham, enfim, um lugar para prestar homenagens àqueles que tiveram as vidas abreviadas pela ditadura.

Em dezembro de 2010, o Sindicato dos Químicos rebatizou seu clube de campo, localizado em Arujá, na Grande São Paulo, que passou a se chamar Virgílio Gomes da Silva. Já o título de cidadão paulistano será entregue à família em solenidade a ser agendada.