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Araguaia: Lula tem de mediar discordâncias

Em entrevista à Rede Brasil Atual o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos diz que Advocacia Geral da União e Ministério da Defesa erraram e espera que Lula acabe com a situação “constrangedora”
por thiagodomenici publicado 25/06/2009 18h27, última modificação 25/06/2009 20h30
Em entrevista à Rede Brasil Atual o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos diz que Advocacia Geral da União e Ministério da Defesa erraram e espera que Lula acabe com a situação “constrangedora”

Em entrevista à Rede Brasil Atual o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marco Antônio Rodrigues Barbosa, diz que Advocacia Geral da União e Ministério da Defesa erraram ao ignorar a existência da comissão nas buscas da Operação Tocantins, na região do Araguaia e que espera que o presidente da República medie a situação “constrangedora”.

Em nota os Familiares dos mortos e desaparecidos repudiaram a Portaria nº 567, do Ministério da Defesa, que criou o Grupo de Trabalho da Operação Tocantins para coordenar as atividades de localização, recolhimento e identificação dos corpos dos guerrilheiros e militares mortos no conflito.

“Houve uma reação uníssona dos familiares no sentido de que isso não podia ficar exclusivamente na mão do exército, sobretudo orientada por um capitão de brigada que entendia que aquilo lá era uma guerrilha de subversivos.”, afirmou Marco Antônio.

Ele disse ter entregado no último dia 22 a nota da comissão ao presidente da República, de quem espera uma mediação. “Você não pode com uma portaria revogar uma lei. Não pode atropelar a competência de uma comissão que deveria estar aparelhada pelo governo de toda a infra-estrutura para exercer sua competência.”, afirmou. 

Como antecipou à reportagem da Rede Brasil Atual nessa quarta-feira (24), os Familiares ficaram descontentes ao saber na reunião do dia 03 de junho com o ministro Jobim que a condução dos trabalhos da Operação Tocantins ficará a cargo do general Mario Lúcio Alves de Araújo simpatizante da ditadura militar.

“Nós tomamos conhecimento da portaria pela imprensa e pedimos uma audiência com o ministro Jobim. Ele descreveu toda a operação que vai ser feita, disse que isso vai ser dirigido por um general de brigada cujo entendimento do assunto é oposto ao que os familiares entendem. Isso causou um inconformismo, um mal-estar. Nós vamos ter uma reunião dia 1 de julho para decidir o que vamos fazer.”

Marco Antônio defende o bom senso e o entendimento para a solução do impasse. “É uma questão de respeito aos próprios familiares. Ignoraram a competência da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a competência do Ministério da Justiça e a competência da própria Comissão, quer dizer, é uma coisa esquizofrênica. Espero, sinceramente, que as partes sentem, estou totalmente disponível para isso, e tenham um entendimento que venha ao encontro do interesse público”, finalizou.

A reportagem da Rede Brasil Atual entrou em contato com as assessorias do Ministério da Defesa solicitando uma entrevista com o general Mario Lúcio Alves de Araújo e a posição do ministério em relação ao “desconforto” dos familiares e da comissão. Também solicitou da Advocacia Geral da União esclarecimentos sobre as questões.

As solicitações ainda não foram atendidas até às 18h 30 do dia 25.