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Para Fazenda, Rio+20 é mais que o documento final

Secretário de Assuntos Internacionais afirma que a partir de agora todos os órgãos do governo terão de considerar a sustentabilidade como um pilar na tomada de decisão
por joaoperes publicado 22/06/2012 12:45, última modificação 22/06/2012 17:54
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Secretário de Assuntos Internacionais afirma que a partir de agora todos os órgãos do governo terão de considerar a sustentabilidade como um pilar na tomada de decisão

Bicalho reconheceu que alguns aspectos do debate ambiental são novos para o governo (Foto: Sescoop-PR)

Rio de Janeiro – O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, afirmou hoje (22) que a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, não pode ser vista exclusivamente sob a ótica do documento final a ser aprovado pelos 191 países participantes do encontro.

Participante de um debate sobre o papel do empresariado na transição ao desenvolvimento sustentável, Bicalho indicou que o governo federal sai modificado do encontro, que termina hoje no Rio de Janeiro. “Seguramente o tema da sustentabilidade terá entrado nos processos decisórios, mesmo aos gestores menos atentos a essa temática, que daqui para a frente terão de lidar com este novo campo de preocupações”, afirmou.

O secretário reconheceu que alguns aspectos do debate ambiental são completamente novos para o governo. Para ele, por um lado foi possível avançar nas questões sociais que permeiam a sustentabilidade, mas o pilar da preocupação com a natureza ficava restrito a alguns ministérios, devendo agora ser ampliado para todo o poder público, que terá de deixar de pensar exclusivamente em uma legislação de controle sobre violações ambientais para colocar na mesa a prevenção dos problemas e a apresentação de soluções.

Bicalho adiantou que o governo ainda não fechou posição sobre a formação de um mercado nacional de carbono. Trata-se de um mecanismo relativamente recente pelo qual um país, uma empresa, um estado ou uma cidade que tenham emitido gás carbônico além das metas fixadas pode comprar de alguém que tenha crédito. A iniciativa é criticada por algumas entidades da sociedade civil que veem risco de manipulação de dados e de punição indireta daqueles que nunca emitiram gás carbônico em grandes quantidades, já que não teriam crédito para vender.

Festa verde

Bicalho conta que um dos aspectos que o governo desejava garantir na Rio+20, o de uma grande festa em torno da sustentabilidade, foi cumprido. O secretário considera que o encontro atual criou muito mais expectativa do que a Eco-92, também realizada no Rio, que significava uma apresentação da temática do desenvolvimento sustentável. Agora, com o assunto sendo amplamente debatido por governo, sociedade e empresários, ele entende que houve uma série de avanços, entre os quais um documento firmado por 70 empresas brasileiras que se comprometeram em levar adiante uma ampla agenda até 2050.

“A Eco-92 foi um ponto de partida para muitas coisas. Para o empresariado brasileiro foi um ponto de partida muito importante. Vinte anos depois, estamos no momento de começar a colher os frutos dessa maturidade.”

No documento, os integrantes do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CBEDS) se comprometem a buscar maior eficiência no uso de recursos, a adotar boas práticas trabalhistas e ambientais e a colaborar na redução da pobreza e na promoção do bem-estar. O texto, que será encaminhado ao Congresso, baseia-se em uma série de projeções daquilo que as corporações privadas entendem como sustentabilidade, incluindo mudanças na legislação.