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Outro dos irmãos Batista, 'Junior Friboi' filiou-se ao PMDB levado por Temer

Presidente apoiou candidatura de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley ao governo de Goiás, em 2014
por Helena Sthephanowitz publicado 22/05/2017 11h48, última modificação 22/05/2017 11h49
Presidente apoiou candidatura de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley ao governo de Goiás, em 2014
PMDB
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Batista Junior acreditou que candidatura a governador estaria garantida por ter um padrinho político na Presidência

Investigado por obstrução de justiça, crimes de organização criminosa e corrupção passiva, Michel Temer fez seu segundo pronunciamento, no espaço de 72 horas, atacando Joesley Batista, dono da JBS, em vez de explicar por que ouviu relatos de crime e não denunciou. Alegando ilegalidades na gravação, produzida pelo empresário, que o incrimina,– depois de o jornal Folha de S.Paulo encomendar um parecer, por sua vez, já contestado – e sem citar o nome de Rodrigo Janot, Temer também atacou o procurador-geral da República ao se dizer alvo de uma "acusação pífia" de corrupção e que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do processo.

No discurso, Temer afirmou ainda que não tinha conversas com Joesley. No entanto, o anexo do depoimento entregue à Procuradoria-Geral da República pelo empresário descreve a relação com Michel Temer desde 2010.

A negação da amizade de Temer com os Batista, é igual a de certas celebridades, como Luciano Huck, que estão apagando fotos publicadas nas redes sociais em que aparecem com o senador tucano Aécio Neves.

No entanto, a relação de Michel Temer com o grupo JBS não dá para esconder por que não é de agora. Em 2012, Temer foi convidado para o casamento de Joesley. E foi pelas mãos do então vice-presidente Temer que o empresário José Batista Junior, conhecido como Junior Friboi, filiou-se ao PMDB, em 2013.

Junior, que até 2010 era sócio da Friboi, fundou sua própria empresa, a JBJ, que atua nos ramos de agropecuária e construção civil, é o irmão mais velho de Wesley e Joesley Batista.

Batista Junior já tentou entrar na política: acreditando que uma candidatura a governador do estado de Goiás (foi filiado ao PSB e transferiu-se depois ao PMDB) estaria garantida por ter um padrinho político na Presidência da República, ele dizia que financiaria candidatos aliados seus a cargos de deputado estadual e federal, o que, imaginava, faria dele o maior cacique político de Goiás.

Nos bastidores, fala-se que a proeminência do dinheiro nos planos de Júnior foi o principal motivo do racha no PMDB e do surgimento de setores resistentes a sua candidatura. Os peemedebistas insatisfeitos com sua indicação ao governo goiano defendiam a candidatura de Iris Rezende, presidente estadual do partido, à revelia do desejo de Temer, que queria Junior.

Resultado. Na queda de braço, Junior Friboi não saiu candidato e acabou sendo foi expulso do PMDB. Um dos motivos foi por ele ter apoiado e pedido votos para o tucano Marconi Perillo ao governo de Goiás em 2014, enquanto o candidato do partido, Iris Rezende, terminou derrotado.

Apoiado por políticos de maneiras até hoje mal explicadas, acumulando processos trabalhistas e com muitos de seus grandes acionistas investigados por sonegação, o conglomerado JBS expandiu-se no mercado interno e externo. A sonegação motiva também um processo individual contra Joesley, o caçula dos três irmãos e presidente da J&F Participações, a holding por meio da qual a família diversificou os negócios para além do setor alimentício. Joesley virou réu da Justiça Federal em novembro de 2012, acusado pelo Ministério Público de ter sonegado 10 milhões de reais graças ao uso, entre janeiro de 1998 e julho de 1999, da conta bancária de uma empresa fechada.

O frigorífico JBS, da família de Júnior, foi acusado, em 2014, de sonegar R$ 1,3 bilhão em impostos no estado de Goiás. A empresa respondia, naquele ano, a 49 autos de infração aplicados pela Secretaria da Fazenda de Goiás, a maioria de não recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na exportação de carne bovina.

Junior também foi acusado de que uma de suas empresas do mercado de proteína animal tinha condutas que prejudicavam a livre concorrência. Causando dissabores aos pecuaristas do país, o empresário viu-se obrigado a desmontar o QG de sua pré-candidatura ao governo de Goiás, e ceder o pleito a Iris Rezende.

Quanto a Temer, no domingo a noite, ele se disse abalado com a crise, provocada pela publicação de áudios de conversas mantidas entre ele alguns dos "amigos" Joesley e Wesley Batista, irmãos de Friboi Junior. Neste domingo (21), enquanto diversos movimentos sociais e centrais sindicais realizam atos em todo o Brasil pedindo a renúncia de Temer e Diretas Já. 

Tarde demais para negar.